sexta-feira, 21 de julho de 2017

A ESCRAVIDÃO NA BÍBLIA – PARTE I

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

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            Por mais que muitos tenham tentado destruir a Bíblia Sagrada ao longo da história, sua propagação nunca cessou. Apesar de toda hostilidade da mídia secular e das argumentações ácidas de ateus e agnósticos, a Bíblia segue como o livro mais lido, traduzido e distribuído de todos os tempos. Mesmo assim, os inimigos da cruz de Cristo continuam atacando. Estão sempre buscando novos argumentos para descredibilizar a Palavra de Deus. Para tanto, procuram formas de convencer as pessoas de que há erros e contradições no texto bíblico. Um dos raciocínios empregados para esse fim usa as ocorrências do termo escravo nas páginas das Escrituras como evidência de que a Bíblia aprova a escravidão. A partir daí, questionam: - como pode, um livro que prega o amor ao próximo, concordar com uma atrocidade tão grande como a escravidão?
O pior de tudo é que há indivíduos que, mesmo professando a fé cristã, fazem o mesmo questionamento, praticamente com a mesma intenção: enfraquecer a autoridade e a inspiração das Escrituras. Isso, para justificar práticas e doutrinas extrabíblicas. Afinal, conforme dizem esses hereges, se não fazemos algo que a Bíblia aprova, por que não fazer aquilo que ela desaprova?
            A despeito dessas acusações, cremos que as “contradições” destacadas por essas pessoas são apenas aparentes, e podem ser perfeitamente explicada por uma exegese honesta. Até porque, ao invés de enfraquecer a doutrina da inspiração, a percepção dessas aparentes contradições revela, na verdade, as limitações humanas. Isto é, demonstram que, se as consideramos contradições, ainda não conseguimos interpretar o texto corretamente. Como resolver, então, o dilema referente à suposta aprovação bíblica da escravidão? É simples. Basta utilizar o princípio fundamental da hermenêutica, a saber: as Escrituras interpretam as Escrituras. Ou seja, ao invés de condenar o Cristianismo e a Bíblia, como fazem alguns, é preciso verificar o que a Palavra de Deus diz acerca do tema.            
            O primeiro aspecto a ser observado no tocante à escravidão, é que o tipo de escravidão mencionado nas Escrituras nada tem a ver com a que foi praticada no Ocidente a partir do século XV. Pois, enquanto esta baseava-se no sequestro de africanos, aquela era o meio pelo qual o indivíduo quitava suas dívidas. Isto é, o “escravo” hebreu era alguém que, voluntariamente, se vendia com o fito de saldar seus débitos. Essa venda era uma alternativa normatizada pela Lei mosaica, a qual previa, inclusive, a remuneração de quem se vendia (é isso mesmo: o escravo israelita recebia até salário!): “quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e se vender a ti, não o farás servir serviço de escravo. Como jornaleiro (trabalhador assalariado), como peregrino estará contigo; até ao Ano do Jubileu te servirá” (Levítico 25.39,40).
            Outrossim, ao contrário do que acontecia noutras culturas, a servidão israelita não era perpétua. Após ter servido por seis anos, o indivíduo era liberto, independente do valor da dívida (Deuteronômio 15.12). Além disso, o escravo não saía de mãos vazias, mas recebia provisões para evitar que precisasse se vender novamente (Deuteronômio 15.13-15). Isto é, o sujeito chegava com “uma mão na frente e outra atrás”, mas saía com animais, cereais e bebidas!
Continua no próximo boletim...
Pr. Cremilson Meirelles

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BANZOLI, Lucas. A Bíblia e a Escravidão. São Paulo: Clube de Autores, 2017.

DEMAR, Gary. A Bíblia apoia a escravidão? Disponível em: http://www.monergismo.com/textos/etica_crista/biblia-defende-escravidao_GaryMar.pdf

BARBOSA, João Cândido. O Trabalho e a Escravidão na Visão do Apóstolo Paulo. Goiânia: Fragmentos de Cultura, v. 24, n. 3, p. 403-411, jul./set. 2014.

GEISLER, Norman. Ética cristã. São Paulo: Vida Nova, 1984.

________________. Manual popular de dúvidas, enigmas e contradições da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.








   

2 comentários:

  1. Muito bom lê seus artigos e suas pastorais.

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    1. Agradeço, meu amigo. As outras duas partes já estão disponíveis.

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