quarta-feira, 24 de maio de 2017

O QUE ACONTECE SE OS PAIS NÃO APRESENTAREM SEUS FILHOS?



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Esta pergunta, embora aparente ser simples, é capaz de calar muitas pessoas. Isso porque, a maioria dos crentes nunca parou para pensar nisso. Afinal, apresentar uma criança durante o culto coletivo é algo que acontece com certa frequência nas igrejas. Talvez, por conta disso, não fazê-lo seja, na mente de muitos cristãos, praticamente, um pecado. Alguns, inclusive, agem como se uma criança “não apresentada” estivesse à mercê do mal, mais ou menos como ocorre no catolicismo quando uma criança não é batizada (morre pagã). Isto é, parece que, aos olhos de grande parte dos evangélicos, a apresentação de uma criança a imuniza de toda sorte de males, funcionando como espécie de “vacina espiritual”. Que pensamento esquisito!
O primeiro ponto a ser considerado a fim de dirimir as dúvidas que circundam esse assunto, é o que a Bíblia diz sobre ele. Quanto a isso, convém destacar que não há no Novo Testamento nenhuma ordem, ou mesmo uma recomendação, alusiva à apresentação de crianças. A única referência neotestamentária à prática é a apresentação de Jesus, relatada em Lucas 2.22. Contudo, é importante observar que o evangelista sublinha que José e Maria estavam, na verdade, cumprindo a Lei mosaica (porque eram judeus), e não estabelecendo uma regra para a igreja. Jesus só foi apresentado no templo porque era o primogênito (Lucas 2.23), e não para que seus seguidores repetissem esse ato. Até porque, a apresentação não foi iniciativa de Jesus (era apenas um bebê), mas de seus pais, que o fizeram por serem judeus, e não para normatizar uma prática para a igreja.
Por conseguinte, o simples fato de Jesus ter sido apresentado não faz da apresentação uma ordenança para os cristãos. Porquanto, se assim fosse, teríamos que reproduzir tudo o que José e Maria fizeram por ocasião da apresentação, a saber: a circuncisão (Lucas 2.21), a oferta (Lucas 2.24), e a purificação da mãe (Lucas 2.22), que era a restauração da mulher à comunhão cúltica, uma vez que, ao dar à luz a um filho varão, a genitora ficava, por quarenta dias, impedida de adentrar o santuário (Levítico 12.1-4). Entretanto, nada disso se aplica à igreja; haja vista que, no Novo Testamento, a circuncisão que vale é a do coração (Romanos 2.29), o sacrifício requerido é o louvor dos lábios dos que confessam seu nome (Hebreus 13.15), e a “purificação” é a justificação e a santificação operadas pela graça, por meio do sacrifício de Cristo (Efésios 5.25,26).
Então, por que cargas d’água as igrejas continuam apresentando crianças? Bem, a apresentação é uma tradição que surgiu entre os cristãos que rejeitam o batismo infantil. Pois, embora não praticassem a imersão (ou aspersão) de crianças, reconheciam a importância de consagrar seus filhos a Deus. Essa prática, embora não seja diretamente ordenada pelas Escrituras, não fere nenhum de seus princípios. Afinal, a Bíblia diz que devemos orar uns pelos outros (Tiago 5.16; 1Tessalonicenses 5.25; 1Timóteo 2.1). Logo, não há problema algum em orar por uma criança, seja diante da congregação ou no lar. Além do mais, a Sagrada Escritura nos orienta a criarmos os filhos na doutrina e admoestação do Senhor (Efésios 6.4), ou seja, educá-los no contexto da fé, ensinando-lhes a Palavra de Deus, a fim de prepará-los para toda boa obra (2Timóteo 3.16,17). Assim, ao apresentarem seus filhos, os pais cristãos reafirmam publicamente o compromisso assumido (de instruí-los no caminho do Senhor), e, com a igreja, rogam a Deus que abençoe seu rebento.
Não obstante, por ser uma tradição, e não um mandamento, não é imprescindível apresentar um recém-nascido. Se os pais não o fizerem, nada mudará. Porquanto, ao contrário do que muitos pensam, apresentar uma criança não é o mesmo que “fechar o corpo”, e nem garante isenção de enfermidades. A apresentação é, na verdade, um compromisso assumido pelos pais. Não há nesse ato a liberação de poderes mágicos que envolvem a criança com uma “aura protetora”. Eu hein!
Todavia, ainda que alguns considerem a apresentação de crianças um ritual mágico que concede “proteção” ao infante, a Bíblia não subscreve esse pensamento. Nem mesmo entre os judeus predominava essa ideia. Para eles, a apresentação era um ato consagratório, ou seja, um rito através do qual demonstravam publicamente que seu primogênito estava sendo consagrado ao Senhor. Essa prática aludia ao livramento que Deus dera no êxodo do Egito, protegendo seu povo e salvando os primogênitos humanos e animais da morte (Êxodo 12.12,13). Por essa razão, “falou o Senhor a Moisés, dizendo: santifica-me todo primogênito, o que abrir toda madre entre os filhos de Israel, de homens e de animais; porque meu é” (Êxodo 13.1,2). Isto é, os primogênitos eram separados para Deus por suas vidas terem sido poupadas. Dessa forma, os feitos do Todo-poderoso eram lembrados não somente por ocasião da celebração da páscoa, mas toda vez que nascia um primogênito.
A consagração dos primogênitos simbolizava que tudo o que Israel possuía, na verdade, pertencia ao Senhor. Até porque, se Deus tem o melhor (os primogênitos, as primícias das colheitas), também tem o restante. Ademais, essa separação implicava a realização perpétua do serviço religioso. Contudo, aprouve ao Senhor separar a tribo de Levi para servi-lo em lugar de todos os primogênitos das outras tribos (Números 3.40,41). Entretanto, para que essa substituição fosse efetivada, os pais tinham de redimir seu filho mediante o pagamento de cinco siclos de prata (Números 18.15,16). Essa redenção não eximia o primogênito de responsabilidades, haja vista que, após o pai de família, a liderança espiritual da casa cabia a ele.
Olhando por esse prisma, fica patente o distanciamento entre as concepções populares acerca da apresentação de crianças e o que realmente acontecia. Afinal, de acordo com as Escrituras, somente indivíduos que fizessem parte da comunidade da Aliança poderiam apresentar seus filhos. Pois, o simbolismo e o pano de fundo da apresentação não fariam sentido algum para alguém que não pertencesse ao povo eleito. De igual modo, ainda que a apresentação, atualmente, seja uma tradição, e não um mandamento, apresentar filhos de pessoas que não servem a Jesus Cristo também não faz sentido, visto que a apresentação tem muito mais a ver com a fé dos pais que com a criança. Sendo assim, se o fizermos, estaremos contribuindo diretamente para o misticismo que tem caracterizado esse rito nas igrejas pós-modernas.
Apesar dessas implicações, muitos, advogando em prol da apresentação de filhos de não crentes, afirmam: “mas a criança não tem culpa!” Esse argumento, no entanto, só faria sentido se houvesse, de fato, uma “transmissão de unção” ou “fechamento do corpo” do bebê. Como não acontece esse tipo de coisa, a argumentação é infundada. Até porque, a criança ter ou não ter “culpa” não altera em nada o fato de que a apresentação diz respeito ao compromisso assumido pelos pais. Logo, se os pais não professam a fé cristã, a apresentação, para eles, é apenas um ritual para afastar o mal e atrair “bons fluidos”. Isto, porém, nada tem a ver com as Escrituras Sagradas. É puro misticismo!
Ante os fatos apontados, concluímos que, embora apresentar uma criança publicamente não seja imprescindível, fazê-lo não constitui transgressão. Porque, ainda que a apresentação seja somente uma tradição evangélica, originou-se a partir de um relato bíblico, e não fere nenhum princípio exarado no Novo Testamento. Por outro lado, conforme destacado acima, essa apresentação deve limitar-se aos filhos de indivíduos regenerados pelo Espírito Santo. Afinal de contas, só eles compreenderão o real sentido da prática.
Deus os abençoe!
Pr. Cremilson Meirelles


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAMPLIN, Russel Norman, Ph.D. O Antigo Testamento Interpretado: versículo por versículo: volume 1. 2. ed. São Paulo: Hagnos, 2001.

HENDRICKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: exposição de Lucas Vol. 1. Tradução: Valter Graciano Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.

WIERSBE, Warren. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento: volume 1, Pentateuco. Traduzido por Suzana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica editora, 2010.

COLE, R. Alan. Êxodo: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1981.
         

domingo, 14 de maio de 2017

A BÊNÇÃO DA MATERNIDADE



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Embora reconheçamos que as mães devem ser lembradas e honradas todos os dias, é importante separarmos um momento específico para homenageá-las. Até porque, ao destacar a maternidade como uma bênção, uma dádiva divina, na verdade, estamos glorificando ao Todo-poderoso, o concessor desse presente. Afinal, tanto a maternidade quanto a paternidade são expressões evidentes da vontade do Senhor, apontadas desde a criação. Pois, após criar o primeiro casal, “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra...” (Gênesis 1.28a); isto é, Ele não os criou apenas macho e fêmea, mas os fez pai e mãe. E depois disso tudo, “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31a).
Lamentavelmente, na atualidade, muitas mulheres têm abdicado essa bênção. Isso porque, consideram os filhos um impedimento para ascensão profissional. Contudo, acima de nossos anseios está a vontade de Deus. Seguindo esse raciocínio, creio que ter filhos não é uma opção, é um mandamento. Não há um trecho sequer das Sagradas Escrituras que afirme que a ordem divina de multiplicação prescreveu. Por mais que a Terra já esteja povoada, a Palavra de Deus permanece: “multiplicai-vos”. A única situação que torna essa ordem inaplicável é o celibato. Todavia, o próprio Jesus asseverou que isso é para poucos (Mateus 19.10-12).
Não obstante, ser mãe é muito mais que gerar filhos. A mãe de verdade deve amar seu filho: “as mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem,  para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos” (Tito 2.3,4). Amar é mais do que comprar presentes e dar boa educação. Amar é entregar-se, é dedicar-se ao outro, mas, acima de tudo, é apresentar o caminho do Senhor. Quem ama de verdade, apresenta Cristo aos seus filhos. Assim procederam a mãe e a avó do jovem pastor Timóteo (2Timóteo 1.5; 3.14,15), as quais, ainda que o pai do jovem não fosse cristão (Atos 16.1), não hesitaram em ensinar-lhe as Sagradas Letras.
Ademais, a mãe de verdade procurará ser exemplo de retidão e compromisso com o Senhor. Pois, só assim, a instrução dada por ela (Provérbios 1.8) será relevante para seu filho; de maneira, que até mesmo com a chegada da maioridade, os filhos darão ouvidos aos seus conselhos (Provérbios 31.1-9). Foi exatamente isso que Paulo percebeu em Lóide e Eunice: uma fé não fingida. Esse é um dos maiores presentes que uma mãe pode dar a seu filho: exemplo.
O mais bonito nisso tudo, é que apresentar o Salvador e os princípios do Reino de Deus às crianças, por meio do ensino e do testemunho, é um presente, não só para os filhos, mas, sobretudo para as mães; visto que, com o avançar dos anos, aquelas que assim procederam, têm a alegria de contemplar o resultado de sua semeadura: filhos que servem ao Senhor e dão bom testemunho de sua fé.
Jesus, o único que pode escolher quem seria sua mãe, decidiu nascer do ventre de uma mulher piedosa e temente a Deus, que se enquadrava no padrão apresentado pelas Escrituras. É claro que a escolha divina não foi mérito de Maria. No entanto, o perfil da mulher que deu à luz ao Cristo, reforça a ideia de que a verdadeira maternidade vai muito além do parto, e deve ser praticada diariamente. Portanto, não apenas gere um filho, mas ame-o, ensine-o, e dê exemplo. 
Parabéns mamães! Que Deus as abençoe!
Pr. Cremilson Meirelles

quarta-feira, 26 de abril de 2017

OS EVANGÉLICOS E A COLA

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa