segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O VERDADEIRO IMPERATIVO



 Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

Ao contrário do que costumamos pensar, o imperativo da evangelização não é ir, mas sim fazer discípulos. Esta verdade fica evidente quando analisamos o texto de Mateus 28.19 em seu idioma original (o grego). Porquanto, no grego, o termo traduzido como “ide” está no presente do indicativo, e não no imperativo. Somente a expressão “fazei” está no modo imperativo. Sendo assim, a melhor tradução seria “Portanto, indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Isto porque, na língua grega, o presente é sempre contínuo, ou seja, traz sempre a ideia de uma ação que continua acontecendo mesmo depois que o indivíduo termina sua fala.
Esses conceitos, sem dúvida, são estranhos para nós. Afinal, falamos português, e não grego. Contudo, é importante tratarmos dessa questão para que fique bem claro qual é a nossa missão. Até porque, se pensarmos que a missão da igreja se resume em “ir”, concluiremos que, se sairmos às ruas acompanhando uma multidão de cristãos, ainda que não falemos nada com ninguém, teremos cumprido a ordem de Jesus; o que não é verdade. Pois, a missão que nos foi confiada é muito maior do que apenas deslocamento geográfico. O cumprimento da Grande Comissão envolve investimento de tempo, ensino, oração, testemunho. Não dá para fazer discípulos sem gastar tempo com as pessoas.
Todavia, a igreja cristã foi gradativamente se afastando do ideal bíblico de evangelização, de modo que, na atualidade, evangelizar se tornou muito mais a divulgação do entretenimento que as congregações locais oferecem, do que a proclamação da boa notícia. Por isso, busca-se, cada vez mais, produzir programações que agradem as pessoas, a fim de que estas sejam agregadas à igreja local. Consequentemente, muitos não convertidos acabam sendo recebidos como membros.
O grande problema disso, é que acabamos tendo a falsa impressão de que a igreja está crescendo, visto que baseamo-nos no número de novos filiados. Entretanto, quando virtudes verdadeiramente cristãs, tais como o perdão e a compaixão são necessárias, muitas dessas pessoas não conseguem demonstrá-las. Porque a razão que os levou à filiação foi a qualidade dos eventos produzidos, e não a fé em Jesus Cristo. Isto nos faz pensar: será que realmente temos divulgado a mensagem bíblica? Temos cumprido a missão? Temos anunciado o evangelho?
Sinceramente, as igrejas não precisam de mais eventos ou programações, precisam, na verdade, cumprir a missão, isto é, fazer discípulos! Este é o imperativo dado pelo Filho de Deus, e deve ser cumprido diariamente. Não podemos nos limitar às atividades evangelísticas da igreja local. Temos de fazer discípulos em todo lugar. Se dissermos que a igreja não evangeliza porque não acontecem tantas programações evangelísticas quanto “achamos” que deve ter, estaremos nos acusando. Porquanto, nós somos a igreja, onde quer que estejamos. A igreja local não é um prédio, mas um grupo pessoas regeneradas que se reúnem para cultuar, estudar as Escrituras e proclamar a Boa Nova.
É de suma importância que compreendamos a real natureza da nossa missão, e venhamos a pô-la em prática. Não podemos terceirizar isso para quem quer que seja (missionário, pastor, diácono, etc). A missão é de todos! Sem exceção! Se você é igreja, tem de se preocupar com isso e quebrar a inércia. “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? (Romanos 10.13,14)

Pr. Cremilson Meirelles

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