sexta-feira, 27 de maio de 2016

TAPETES DE SAL?

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Recentemente, em diversos locais do Brasil, algumas ruas foram enfeitadas com os famosos tapetes de sal. Esta manifestação artístico-religiosa ocorre anualmente como parte da festa católica conhecida como “Corpus Christi”, expressão latina que significa Corpo de Cristo. A festa de “Corpus Christi” originou-se na Bélgica, no século XIII d.C, a partir de uma experiência mística vivida por uma freira, que afirmou ter recebido uma revelação de Jesus Cristo, na qual o Filho de Deus lhe falara da necessidade de todos reconhecerem Sua presença na Eucaristia (Ceia do Senhor). Isto é, de acordo com a tradição católica, a experiência da freira belga, posteriormente canonizada e denominada Santa Juliana de Mont Cornillon, seria a ratificação da “transubstanciação”, doutrina católica que defende a transformação física do vinho e do pão usados na Ceia do Senhor, em sangue e carne. Essa concepção se baseia numa interpretação literal do dito de Jesus por ocasião da última ceia: “isto é o meu corpo” (Mateus 26.26). Sabemos, entretanto, que, em vários de seus discursos, o Filho de Deus utilizou metáforas. Um exemplo disso é a declaração “eu sou a porta” (João 10.9). Ora, Jesus não era feito de madeira e nem tinha maçaneta! É óbvio que ele estava usando uma linguagem figurada, assim como o fez ao dizer que o pão era o Seu corpo. Até porque, não tinha como o pão ser o corpo dele, pois ele, com o seu corpo, estava segurando o pão! Se o pão fosse o corpo dele, era o pão quem deveria proferir a frase! Por isso, não faz sentido entender literalmente a frase de Jesus.
Enfim, após ter recebido a “revelação” de Jesus, a freira Juliana solicitou ao bispo de Liège, importante cidade belga, que autorizasse a realização de uma festa anual, a fim de atender ao mandado do Filho de Deus. Dada a autorização, a celebração passou a ser marcada por uma procissão na qual o “ostensório”, objeto dourado semelhante ao sol e que transporta a hóstia, é levado às ruas. Aliás, esse é o único dia do ano em que isso acontece.
Em 8 de setembro de 1964, o Papa ordenou que a festa se estendesse por todo o mundo, fixando-a na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao Pentecostes, que, conforme o calendário litúrgico católico, é celebrado 50 dias após o domingo da ressurreição (conhecido popularmente como domingo de Páscoa).
Voltando à questão dos tapetes de sal, embora estes estejam associados à festa de “Corpus Christi”, seu surgimento é posterior. Pois, gradativamente, se desenvolveu entre o povo o costume de enfeitar as casas com flores e as ruas com tapetes ornamentados que retratavam o motivo da celebração. Este desenvolvimento se deu nas terras europeias, mais especificamente, em Portugal. Através da colonização e da imigração dos açorianos (pessoas nascidas na ilha portuguesa dos Açores), essa tradição chegou ao Brasil.
É importante destacar que os “tapetes” não são feitos exclusivamente de sal. Diversos materiais, tais como borra de café, serragem e areia, são empregados em sua confecção. Além disso, por estes “tapetes” passa a procissão que transporta o “ostensório”. Isto é, trata-se de uma manifestação religiosa popular que visa a manutenção dos símbolos e da fé católica.
É claro que não praticamos esse tipo de ritualística. Contudo, isso nos faz refletir: não seriam as “marchas pra Jesus” versões evangélicas desse tipo de manifestação? Afinal, a Bíblia, em momento algum, nos manda fazermos procissões ou marchas para anunciarmos o evangelho, mas sim comunicarmos verbalmente e diariamente sua mensagem, tal como fizeram Jesus e seus apóstolos.
Pr. Cremilson Meirelles
 

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