quinta-feira, 20 de agosto de 2015

DÍZIMO? O QUE É ISSO? PARTE IV

Pastoral redigida para o boletim dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Sem dúvida, o trecho da Escritura mais empregado para enfatizar a necessidade do dízimo é Malaquias 3.10. Contudo, é necessário frisar que este é um dos textos mais mal interpretados da Bíblia. Isto porque, muitos o utilizam para propagar a ideia de que há uma relação comercial entre nós e Deus, de modo que damos o dízimo para recebermos bênçãos. Usa-se também o versículo 11 para transformar Deus em uma espécie de “agiota”, pois, se você não “pagar” o seu dízimo, Ele envia um cobrador violento: “o devorador”. A fim de corrigir esses erros discorreremos sobre o referido texto nas linhas abaixo.
O primeiro ponto a ser destacado é o contexto. Ora, o livro de Malaquias é parte integrante do Antigo Testamento; logo, sua linguagem segue os preceitos da antiga aliança, feita entre Deus e o povo de Israel. De acordo com Augustus Nicodemus, os termos daquela aliança eram estes: “se o povo obedecesse a Deus, este o abençoaria; mas, se o povo desobedecesse a ele, seria castigado”. Isto acontecia em qualquer situação de desobediência, e não somente por não dar o dízimo. Essa era a dinâmica da antiga aliança. Isso fica bem claro em Deuteronômio 28.
Foi justamente com base nessa perspectiva que o texto de Malaquias foi produzido. Veja, por exemplo, que em Malaquias 3.7 Deus se queixa do povo, salientando que, assim como seus pais, eles estavam quebrando a aliança ao ignorar seus termos. Por essa razão, sofriam com a falta de chuva e com a devastação provocada pelas pragas. Diante desse quadro desolador, o Deus misericordioso vai ao encontro do povo e oferece uma oportunidade de reconciliação a partir da dinâmica da antiga aliança. Por isso, Ele diz: “[...] tornai vós para mim, e eu tornarei para vós, diz o SENHOR dos Exércitos [...]” (Malaquias 3.7b). Porquanto, se o povo cumprisse a sua parte no contrato (aliança), observando a lei, o Senhor faria a Sua, “abrindo as janelas do céu” (Malaquias 3.10), ou seja, enviando chuva para regar a terra e viabilizar o plantio. Deus promete ainda que repreenderia o “devorador”, isto é, impediria a vinda de pragas (gafanhotos), além de assegurar a produtividade da colheita: “e, por causa de vós, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo não vos será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos”.
Cabe-nos ressaltar, entretanto, que isso nada tinha a ver com as contribuições dos israelitas, mas com o pacto que Deus fizera com o povo. Eles não estariam “convencendo” Deus a abençoá-los por entregarem seus dízimos. Na verdade, o Senhor já havia se pré-disposto a fazê-lo. O mesmo acontece conosco, haja vista que, no Novo Testamento, as bênçãos estão condicionadas à filiação divina (Lucas 11.9-13) e à vontade de Deus (1João 5.14). Não podemos “comprar” bênçãos com nossos dízimos, e nem convencer o Senhor a nos abençoar com nossas atitudes.  
   Todavia, enquanto na antiga aliança os termos do “contrato” entre Deus e o povo eram os estatutos da lei, na nova aliança só há um termo: o amor. Tudo o que fazemos para o Senhor deve ser feito com base nisso. Pensando assim, Jesus disse: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos” (João 14.15). Não devemos fazer o que fazemos por medo ou por interesse, mas simplesmente porque amamos o Deus Todo-poderoso.
Pr. Cremilson Meirelles

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