segunda-feira, 17 de agosto de 2015

DÍZIMO? O QUE É ISSO? PARTE III

Pastoral redigida para o boletim dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

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O dízimo, no Antigo Testamento, tinha uma abrangência bem ampla, incluindo tanto plantas quanto animais (Levítico 27.30-34). Além disso, de acordo com a lei, os produtos agrícolas podiam ser vendidos e o dinheiro entregue como dízimo, desde que este fosse acrescido de 20% do seu valor. Vale salientar, no entanto, que esse tipo de conversão não se aplicava aos animais. Esse acréscimo sobre o montante, entretanto, tinha como objetivo impedir as falcatruas. Porquanto, alguém poderia dar um valor menor, argumentando que fazia assim por causa da conversão do dízimo em dinheiro.   
É necessário esclarecer também que, no contexto da lei, ninguém estava isento do dízimo. Até quem o recebia tinha de dizimar (Números 18.25-29). Contudo, embora houvesse uma aplicação social daquilo que era entregue, a motivação maior era religiosa. Tanto, que o dízimo era entregue no santuário central (Deuteronômio 12.10,11). Afinal, o ato de dizimar expressava a gratidão ao Senhor pelo sustento concedido, além de evidenciar o princípio de que tudo pertence a Deus, sendo Ele o verdadeiro dono de todas as coisas, tal como afirma o salmo 24.1.
Todavia, conquanto as contribuições, em grande parte, fossem resultado da produção agrícola e pecuária, isto não significa que quem dizima na atualidade tenha que se tornar agricultor ou pecuarista para observar essa prática. O que fazemos, na verdade, é baseado no princípio, também presente no Novo Testamento, da contribuição voluntária em reconhecimento ao senhorio e à bondade de Deus. Isto é mostrado claramente nas epístolas paulinas. Em 1 e 2Coríntios, por exemplo, vemos que os cristãos primitivos eram concitados a colaborar, dando dinheiro para a igreja (2Coríntios 8.1-16; 9.1,2), com generosidade (2Coríntios 9.7) e proporcionalidade (1Coríntios 16.2; 2Coríntios 8.11,12).
Definitivamente, não havia, e nem há, nenhuma injustiça ou erro nisso. Dizimar é uma prática justa e saudável, pois através dela o pobre pode contribuir na mesma proporção do rico. Além disso, por meio dessa contribuição é possível, como já destacamos nas pastorais anteriores, atender as frequentes necessidades da igreja local e atuar de maneira relevante na sociedade.
Apesar disso, vale ressaltar que nenhuma contribuição mencionada pela Bíblia é obrigatória. Por essa razão, o apóstolo Paulo salienta, em 2Coríntios 8.3, o caráter voluntário das contribuições, sublinhando que estas devem ser feitas com alegria (2Coríntios 9.7), e não sob ameaça. Até porque, contribuir para o avanço da obra de Deus, seja no seu aspecto social ou evangelístico, é, na verdade, um privilégio. Assim, a fim de incentivar esse sentimento, Paulo destaca o exemplo dos macedônios, os quais, mesmo enfrentando privações, rogaram ao apóstolo que lhes concedesse o privilégio de contribuir (2Coríntios 8.4). Esta contribuição, ainda que visasse, exclusivamente, o sustento dos pobres da Palestina, revela a liberalidade que deve caracterizar o cristão genuíno.
Algo digno de nota também é o fato de que, mesmo os fariseus tendo criticado Jesus em muitas coisas relativas à prática da lei e à observância de suas tradições, jamais o criticaram por não ser dizimista. Se Ele não fosse ou se pregasse contra o dízimo, sem dúvida, com o dedo em riste, O criticariam. Foi exatamente o que fizeram quando perceberam que seus discípulos não jejuavam (Marcos 2.18). Ademais, embora Jesus condenasse a hipocrisia dos fariseus, incentivou os discípulos a praticar o que eles ensinavam (Mateus 23.1-3). Aliás, no mesmo texto em que faz essa afirmação, o Mestre destaca que, conquanto fizessem algo correto, ou seja, dar o dízimo, os fariseus negligenciavam a essência da lei: “o juízo, a misericórdia e a fé”. De igual modo, quando vivemos em discordância com as Escrituras e, mesmo assim, damos o dízimo achando que isso nos faz retos aos olhos de Deus, somos tão hipócritas quanto eles.
Pr. Cremilson Meirelles

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