sexta-feira, 1 de maio de 2015

POR QUE NÃO FALAMOS LÍNGUAS ESTRANHAS? PARTE X

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Conforme vimos na última pastoral, profetizar nada mais é que proclamar as boas novas. Pensando assim, o apóstolo Paulo, em 1Coríntios 14.1, destaca a superioridade da profecia em relação aos outros dons. Até porque, como explicamos, jamais o dom mais importante seria a previsão de acontecimentos futuros na vida das pessoas. Afinal, isso nada contribuiria para edificação ou consolação, só traria angústia e inquietação, como inevitavelmente acontece nos grupos religiosos onde se busca “adivinhar” o futuro alheio.
Após essas considerações, podemos, então adentrar o versículo 2 de 1Coríntios 14. Este, na verdade, é o único texto que, teoricamente, serve de base para a crença nas línguas estranhas. Isto porque, nele Paulo faz uma afirmação que agrada os ouvidos dos faladores de línguas incompreensíveis. Pois diz, que “o que fala língua estranha não fala aos homens, senão a Deus”.
Entretanto, quando analisamos a frase do apóstolo à luz de todo o contexto bíblico, concluímos que ele jamais estaria dizendo que só pode falar diretamente com Deus quem fala línguas estranhas. Afinal, a Escritura diz claramente que temos acesso direto ao Pai por causa do sacrifício de Cristo, não por causa de línguas que ninguém entende. É pelo sangue de Jesus que, com ousadia, adentramos o Santo dos Santos (Hebreus 10.19). Foi Ele quem abriu o “novo e vivo caminho” (Hebreus 10.20). O próprio Jesus, em Seu ministério terreno, ensinou seus discípulos a orar na língua que eles conheciam (Mateus 6.9-13), e fazendo assim, disse Ele, o Pai, que vê o que está oculto, os recompensaria (Mateus 6.6). Portanto, não precisamos falar uma língua diferente para que Deus nos entenda. Nós nem sabemos orar como convém. Por isso, carecemos da intercessão do Espírito Santo (Romanos 8.26).
Ora, se, como defendem alguns, Paulo entendia que falar em línguas estranhas era o mesmo que falar com Deus, por que ele afirmaria, no versículo em questão, que ninguém entende o indivíduo que fala essas línguas, enquanto, no mesmo capítulo, diz que é melhor que, na oração, haja entendimento (1Coríntios 14.15)? Seria, no mínimo, contraditório.
A posição do apóstolo a esse respeito fica bem clara em Romanos 12.1, onde ele afirma que o culto cristão é racional. Sendo assim, algo que “ninguém entende” não deve fazer parte de nossas celebrações, e nem do dia a dia. Aliás, quando é dito que “ninguém entende”, isso também diz respeito a quem fala. Afinal, ninguém abrange a todos.
Veja bem, nem o próprio indivíduo entende o que fala! É justamente por isso que Paulo declara: “o que fala língua estranha, ore para que a possa interpretar” (1Coríntios 14.13). Na verdade, se observarmos o que diz 1Coríntios 14.2, facilmente concluiremos que nem os anjos conseguem entender. O único capaz de compreender os devaneios dos coríntios é o próprio Deus. Até porque, como diz a Escritura, “o SENHOR não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração” (1Samuel 16.7). Assim, embora as palavras sejam ininteligíveis, Deus conhece a disposição do coração de cada um. Mesmo quando não falamos nada, Deus sabe exatamente o que queremos dizer com a expressão facial, com a gesticulação, com assobios e outros sons que emitimos. Por isso, ainda que uma frase dita em línguas estranhas seja um mistério para todos, o Senhor consegue compreender a intenção do coração de quem fala. Isto, entretanto, não significa que Ele aprove. Até porque, Deus também entende os palavrões que falamos, mas não se agrada disso.


Pr. Cremilson Meirelles

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