sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O QUE NÃO É EVANGELIZAR

            Desde o início da caminhada cristã aprendemos que temos uma missão: evangelizar. Embora nem todos a cumpram, sempre há crentes preocupados em realizá-la. Estes buscam diversas maneiras de por em prática o “ide”. Contudo, ainda que o façam com o desejo sincero de levar pessoas a Cristo, muitos acabam, na verdade, não evangelizando. Isto porque, partindo de um entendimento equivocado acerca da Grande Comissão (Mateus 28.19), dedicam seu esforço a algo que, em essência, não é evangelização.
            Acredito que esses erros se devem, em parte, à forma como se entende a ação da igreja atualmente, ou seja, a ideia de que tudo se resume àquilo que se faz no templo. Pensando assim, a grande maioria dos evangélicos conclui que, convidando alguém para participar de uma programação no templo de sua igreja, está evangelizando; o que não é verdade. Porquanto, ao fazer o convite, o indivíduo está apenas divulgando um evento; e pior ainda, está transferindo a responsabilidade da pregação do evangelho para o Pastor, se eximindo de uma tarefa que lhe cabe. Por causa dessa visão, muitos passam a crer que se não há conversões a “culpa” é da programação que foi apresentada. Ou foi a pregação que não estava boa, ou o louvor que desafinou, ou o pastor que estava “na carne”.
            Essas ideias, conquanto sejam bastante comuns, são completamente erradas. A missão de evangelizar é responsabilidade de cada crente. Mas o que é evangelizar? É apresentar o Evangelho, não convidar alguém para um evento chamado culto. Significa divulgar o plano divino de salvação. Isto cada discípulo de Cristo deve fazer. Não basta contribuir financeiramente para um trabalho missionário. É você quem deve anunciar! Até porque, contribuir com missões não é apresentar o Evangelho. É ajudar aqueles que proclamam a Palavra. Isto é, dar dinheiro para missões não cumpre o “ide”. Pois, “ide” é uma ordem particular dada a cada um de nós. Portanto, devemos contribuir e também ir.
            Outra prática que confundimos com evangelização é a distribuição de folhetos, uma das mais tradicionais estratégias de divulgação das boas novas. Normalmente, saímos às ruas com folhetos nas mãos e, muitas vezes, os distribuímos sem dizer uma palavra a quem recebe. Mesmo assim, voltamos satisfeitos entendendo que evangelizamos. No entanto, quem evangelizou de fato foi o escritor do folheto. Ele sim tomou a iniciativa de apresentar o evangelho. Nós, ao contrário, acabamos transferindo a responsabilidade para um pedaço de papel.
            O folheto, na verdade, é apenas um recurso, mas ele não é o evangelista. O evangelista é você, sou eu, somos nós. O Evangelho é uma mensagem. Logo, precisa ser comunicada, seja de forma escrita ou falada. Entretanto, não podemos esquecer que se trata de uma missão individual e intransferível. Por isso, ao invés de somente convidarmos as pessoas para o culto, devemos iniciar relacionamentos intencionais com elas a fim de apresentar-lhes o plano de salvação, assim como Jesus fez com a mulher samaritana (João 4.5-42).
            Todavia, é necessário estarmos bem atentos, visto que, mesmo quando deixamos de lado os convites vazios e as silenciosas distribuições de folhetos e decidimos falar acerca de Jesus, corremos o risco de não apresentar o Evangelho. Isto ocorre porque nos ensinaram que compartilhar o testemunho pessoal de conversão é evangelizar. Seguindo esse raciocínio, nos limitamos ao relato de experiências particulares, julgando que, assim, estamos apresentando o Evangelho. Ledo engano.
            Nada pode substituir o Evangelho! Até porque, como falamos, ele é uma mensagem, não um testemunho pessoal. A experiência, sem dúvida, pode servir como evidência do poder transformador de Cristo, mas não é o Evangelho. Afinal de contas, o Evangelho é a boa notícia de que, embora o homem seja um pecador miserável e depravado que não merece mais nada a não ser a morte, “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Apregoemos pois, esta mensagem de amor a toda criatura. Deus o abençoe!
Pr. Cremilson Meirelles


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