segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

QUEM É O PAPAI NOEL?

Para muitas crianças a figura principal na época de natal é o “bom velhinho”, isto é, o Papai Noel. Há, inclusive, quem ache estranha a exibição de filmes sobre o nascimento de Jesus nesse período do ano, afinal, o Papai Noel é a figura de destaque, logo, se algum filme deve ser exibido, o protagonista tem de ser ele. Infelizmente, esse tem sido o pensamento predominante no Ocidente.
Com o fito de combater essa ideia, cristãos sinceros têm buscado, a partir da análise da origem dessa figura natalícia, extirpá-la, pelo menos, do contexto cristão. Todavia, isso não tem sido fácil, pois até mesmo pais cristãos têm incentivado tal crença. Por conta disso, ao invés de tratar do contexto histórico que originou o mito do “bom velhinho”, pretendo apontar neste artigo, não o que o Papai Noel significou um dia, mas aquilo que ele significa hoje, ou seja, a verdadeira identidade desse personagem mítico.
Olhando por esse prisma, a primeira asserção que pode ser feita acerca da pergunta utilizada como título desse artigo é que Papai Noel é o reflexo do anseios da sociedade. Isto é, ele tem, segundo o mito, condições de atender um dos maiores desejos do homem moderno, a saber, obter o maior número de bens com o mínimo de esforço. Sem dúvida, a melhor figura para representar tais anseios é a de um vovô bonzinho, que distribui presentes. A criança não precisa fazer nada, basta ser “boazinha”. Porém, mesmo que a criança não seja “boazinha” ela acaba sendo presenteada. Todos os anos, fazendo bem ou mal, as crianças recebem presentes do Papai Noel, ou seja, não é necessário fazer nada.
O próprio velhinho (Papai Noel) é o retrato dessa realidade. Ele não trabalha, não faz esforço algum, porquanto tem um monte de gente (duendes, gnomos ou coisa parecida) que realiza o serviço pesado por ele. O que ele faz? É simples: anda por aí com seu potente carrão (trenó) voador e resplandecente, tirando onda, rindo para aqueles que olham para ele (ho, ho, ho), a fim de mostrar que sua “vida boa” lhe dá muita felicidade. Além disso, ele é claramente um sedentário (por isso possui aquela barriga imensa), não faz nada, mas vive feliz. Mas em que consiste essa felicidade? Simples: ele é feliz porque tem dinheiro. De outro modo, como poderia presentear todo o mundo? Eis a mensagem inserida nesse contexto: quando somos ricos, somos felizes, podemos aproveitar a vida ao longo de todo o ano, desfilando em nossos carrões, tendo pessoas para trabalhar pra nós, e uma vez no ano ajudamos as pessoas (não é assim que acontece?) e posamos como pessoas bondosas diante da opinião pública.  
O maior problema é que, com a chegada da adolescência o mito é desmascarado e o indivíduo descobre que eram os próprios pais que lhe davam presentes, alimentando a fantasia infantil. Entretanto, ainda que o mito seja desfeito, o anseio por reviver as sensações proporcionadas por ele permanece, ou seja, a felicidade continua sendo associada à recepção de presentes. O material segue prevalecendo em detrimento do espiritual, do abstrato. É isso que Papai Noel ensina: “a felicidade só é possível mediante a aquisição de bens”. Contudo, quando crescemos descobrimos que os bens só podem ser adquiridos com dinheiro, daí pode-se depreender que Papai Noel implanta nos infantes o germe do capitalismo, visto que torna o dinheiro o bem mais importante, afinal, é esse elemento que viabiliza a “felicidade”.  
A partir daí, é possível perceber que o Papai Noel é uma figura incentivadora do capitalismo. É por causa dele que ter se torna mais importante do que ser. É ele quem nos desperta para o consumismo. Quando a criança recebe o presente, recebe com ele uma semente do capitalismo. Ela passa a entender que, sem os bens (presentes), não é possível ser feliz. Cabe ressaltar, no entanto, que os bens concedidos pelo Papai Noel não são permanentes, precisam ser constantemente substituídos. A cada ano é necessário receber um novo presente. Essa necessidade de renovação é levada para a idade adulta e é ultra dimensionada no contexto capitalista, ou seja, tal como ocorria quando éramos crianças, como adultos continuamos a buscar essa renovação material, o que temos nunca é bom o suficiente, sempre existirá algo novo, melhor, de última geração, algo que na verdade não precisamos, mas se não obtivermos ficaremos frustrados e, consequentemente, infelizes.
Enquanto somos crianças tudo isso é legal. Porém, ao adentrar na adolescência nos deparamos com o mundo verdadeiro, onde as coisas são mais difíceis, onde precisamos entender as dificuldades financeiras de nossos pais. Só aí descobrimos que, se quisermos suprir a necessidade de aquisição e renovação dos bens implantada em nós desde cedo, é necessário trabalhar bastante, assim como fazem os empregados do Papai Noel. Por falar nisso, você percebeu que os “gnomos” do “bom velhinho” são anões? Papai Noel, que não faz nada, é grande e gordo, mas os gnomos (ou duendes), que realmente trabalham, são pequenos e mais magros que ele. Os coitados são explorados por um homem, que não é tão velho (só tem barba e cabelo branco), comilão e sedentário (a barriga evidencia isso). O trabalho deles nunca termina. Eles são escravos, nunca podem sair de lá. Sempre que vemos os gnomos nas estórias eles estão trabalhando. Esse é o retrato da vida do homem na pós-modernidade, pois este se tornou escravo do sistema capitalista, o qual o faz trabalhar mesmo depois de sua aposentadoria a fim de suprir sua necessidade de consumir. Uns poucos possuem abundância (Papai Noel), enquanto outros perseguem constantemente a utopia consumista: preencher o vazio em seus corações com os bens adquiridos. Em outras palavras, uns se tornam anões, isto é cativos do capitalismo, enquanto outros se tornam velhos obesos e ricos, que dominam os anões.
Outro aspecto terrível desse personagem mítico chamado Papai Noel, é a aceitação da mentira como válida. Isto porque, a mentira contada, por anos, pelos pais introduz no inconsciente do indivíduo a idéia de que, dependendo do propósito, mentir é perfeitamente aceitável, e pode, inclusive, trazer felicidade. O problema é que, mesmo depois de mentir por tanto tempo, os pais cobram a verdade de seus filhos. Quando estes utilizam o expediente usado por aqueles são duramente repreendidos. Como será que fica a cabeça de alguém diante de tantas contradições? Certamente, isso desperta o desejo de retornar ao tempo da mentira, quando tudo era maravilhoso. Assim, a mentira passa a ser vista com bons olhos e a verdade como algo ruim.
Confesso que isso aconteceu comigo. Quando descobri que Papai Noel não existia, fiquei profundamente decepcionado. O Natal perdeu o sentido, foi despojado de sua beleza, se tornou um dia como outro qualquer. Passei a sentir falta da mentira que me contaram, pois o mundo real era ruim, sem graça, sem alegria. Aos meus olhos, até mesmo a imagem de meus pais ficou manchada, afinal, eles mentiram para mim. A partir daí, achei que deveria criar meu próprio mundo e não aceitar aquilo que criavam para mim. Meus pais, na minha concepção (como pensam muitos adolescentes) não sabiam de nada. Só eu podia me conduzir. Graças a Deus um dia recebi a Cristo como Salvador e essa visão foi alterada. Não obstante, a partir desse testemunho vemos o prejuízo que o “bom velhinho” pode causar.
Apesar disso, a conseqüência mais danosa da inserção do Papai Noel no contexto natalino é a propaganda negativa da figura divina. Porquanto, Papai Noel é, na verdade, um “substituto de Deus”, alguém que possui características transcendentes. Você já se perguntou por que ele é chamado de pai? Ele tem filhos? Há quem diga que ele é o pai de todas as crianças. Ora, quem é o pai de todos? Deus. Outrossim, o “bom velhinho”, assim como Deus, tem servos que trabalham para ele. Porém, alguém pode dizer: “é, mas isso não o torna divino”. Mas, se olharmos com mais atenção, perceberemos que Noel tem atributos divinos. 1º ele pode estar em vários lugares ao mesmo tempo; na noite de natal ele entrega presentes em todo o mundo, a todas as crianças. Como ele faz isso? 2º Papai Noel é um ser transcendente (voa e tens poderes mágicos) e ao mesmo tempo imanente (se relaciona com as pessoas, dando presentes). 3º É onisciente, pois conhece todas as crianças do mundo.   
            Embora tais aspectos pareçam inofensivos, eles fazem com que uma mensagem muito pior seja transmitida. Porque, conquanto possua todos os “poderes” mencionados, Papai Noel é uma figura fraca, pois depende de animais, de anões, da atenção de crianças e dos comerciantes, os quais fazem sua divulgação. Por conta disso, quando crescemos somos convidados a abandonar esses “mitos”, afinal, seres onipresentes, oniscientes fazem parte de um mundo fantasioso, ou seja, não são reais. Como adultos, precisamos ser independentes, autônomos, é necessário abraçar a subjetividade e abandonar as verdades absolutas, porque estas não existem, nós temos que construir nossas verdades. Essa é a mensagem do Papai Noel.
            O Senhor Jesus, quando veio ao mundo, trouxe uma mensagem completamente diferente. Ele mostrou a verdadeira necessidade humana: Deus. Com isso, fez exatamente o oposto do Papai Noel, pois não apresentou um deus dependente do humano, mas um homem dependente do divino.  Ademais, provou que Deus não é uma figura pertencente a um mundo imaginário, mas é um ser que intervém na história, é o “Deus conosco” (Emanuel). Jesus não incentivou o consumismo, mas o amor, o qual leva não a adquirir, mas a doar, a Deus e aos homens. Ele mostrou que o mais importante não são os bens materiais, mas os espirituais. Não deixemos, portanto, que essa figura estranha ao Natal, chamada Papai Noel, ofusque o acontecimento mais importante da História: o nascimento de Jesus. Não minta para seu filho, o pai da mentira é o diabo (Jo 8.44). Apresente a verdade a ele, a saber: Jesus.


Pr. Cremilson Meirelles   

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