terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

PALMAS PRA JESUS? - PARTE I


Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Hoje em dia, é muito comum ouvirmos aplausos durante os cultos evangélicos. Eles surgem, normalmente, após as apresentações de conjuntos, corais, grupos de coreografia, solistas, e, às vezes, quando a pregação atinge seu clímax. Contudo, nem sempre são espontâneos. Na verdade, na maioria das vezes, são incentivados pelos ministros de louvor e líderes religiosos, os quais utilizam o famoso clichê “palmas pra Jesus que Ele merece”! Muitos acham isso o máximo, pois consideram que esse tipo de manifestação evidencia a verdadeira alegria de servir a Cristo. Por conseguinte, as igrejas que não adotam os aplausos são vistas como “frias”, “mortas”, “sem o Espírito Santo”, etc.
O mais estranho nisso tudo é que a origem dos aplausos não está nas Escrituras, mas nos programas de auditório. Até porque, em momento algum, vemos Jesus “puxando palmas para Deus”. Os apóstolos de igual modo, não o fazem. Aliás, é importante frisar que as “palmas” só aparecem no Antigo Testamento. No Novo Testamento não há uma referência sequer ao uso de aplausos durante o culto. Se estes fizessem parte do culto da igreja primitiva, certamente isso teria sido registrado nas Escrituras Sagradas. Entretanto, nem na Bíblia e nem na história da igreja há registro algum dessa prática.  
Não obstante, mesmo diante da inexistência de respaldo escriturístico, há quem defenda que a autorização bíblica para os aplausos revela-se através do fato de que não existe um só texto que os proíba. Isto é, o respaldo bíblico é não ter respaldo bíblico. Essa é uma linha muito perigosa, uma vez que, se o que a Bíblia não proíbe, automaticamente, dissermos que ela autoriza, muita coisa ruim será legitimada. Um exemplo disso é o uso de drogas. Porquanto, não existe nenhum versículo que, diretamente, proíba isso. O mesmo acontece com a pedofilia. Não há nenhuma menção direta da pedofilia na Bíblia. O que fazemos para rechaçar tais práticas é aplicar princípios bíblicos gerais. Viu como esse pensamento é perigoso?
Outrossim, os defensores das “palmas pra Jesus” sustentam que a igreja deve aproveitar os melhores elementos da cultura em que está inserida para exaltar o Todo-poderoso. Todavia, quando observamos o que a Bíblia fala sobre a relação entre o culto a Deus e a cultura local, vemos que, desde o princípio, o Senhor fez questão de expurgar todo e qualquer aspecto da cultura humana da adoração prestada por Seu povo. Isso fica evidente na concessão da Lei, pois através dela Deus deu aos hebreus uma série de prescrições relativas ao culto, mostrando assim que eles deveriam cultuá-lo da maneira que Ele queria ser cultuado, e não como bem entendessem. Por essa razão, toda vez que alguém inseria elementos estranhos, o Todo-poderoso mostrava Sua ira (Levítico 10.1,2). Tanto, que os reis que introduziram práticas de outros povos no culto, foram duramente punidos. Um exemplo disso é o caso de Jeroboão, que introduziu, por motivos políticos, dois bezerros de ouro no culto prestado ao Senhor (1Reis 12.26-33), e, por conta disso, foi duramente punido (1Reis 14.1-20). Afinal, a recusa em oferecer a Deus a adoração tal como Ele prescreveu na Sagrada Escritura, é, na verdade, recusar-se a obedecê-lo.
Continua...
Pr. Cremilson Meirelles

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