quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O PERIGO NEM SEMPRE “MORA AO LADO”

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
 

 
            A famosa frase “o perigo (ou o pecado) mora ao lado”, oriunda do mundo cinematográfico, normalmente é empregada com referência ao mal que se avizinha. Aparentemente, em algumas circunstâncias, isso faz sentido. Sobretudo, quando se trata de psicopatas (como é o caso do livro “Mentes Perigosas – O Psicopata Mora ao Lado). No entanto, quando voltamos o olhar para as Escrituras Sagradas, percebemos que a frase em questão refere-se aos sintomas de algo muito mais profundo. Isso fica evidente na asserção de Jesus, em Mateus 15.19, quando o mestre assevera que é do coração que “procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.” Assim, fica claro que o perigo não mora ao lado, mas mora em nós, pois “não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque.” (Eclesiastes 7.20)
            Todavia, o ser humano tende a procurar a razão do problema sempre fora de si. O culpado é sempre o outro, e não eu; se eu errei, foi porque ele errou primeiro. Desde criança já manifestamos essa inclinação adâmica. Essas ideias permanecem conosco e se desenvolvem conosco, chegando, até mesmo, a influenciar os sistemas filosóficos. Jean Jacques Rousseau (1712-1778), um filósofo francês, por exemplo, expressou o mesmo conceito adâmico ao defender que o homem nasce bom por natureza, sendo depois corrompido pela sociedade. O mais irônico, entretanto, é que esta afirmação é tão contraditória quanto a primeira; afinal, se a sociedade corrompe o homem, quem, então, corrompe a sociedade? Se a resposta for a própria sociedade, caímos na mesma contradição, uma vez que ela é composta de homens; e se dissermos que o homem se corrompe naturalmente com o tempo, na verdade, estaremos dizendo que é o homem quem corrompe a sociedade, caindo na mesma contradição.
            Esse tipo de raciocínio também é comum no interior das igrejas evangélicas. O perigo, o pecado, o erro, sempre está ao lado, fora de nós; o outro é sempre culpado por nossas insatisfações ou pelos problemas do grupo. Nunca temos culpa! Se não compareço com frequência, a culpa é de quem está à frente; se mais pessoas não são agregadas, a culpa é de alguém na igreja, menos minha; se as coisas não estão andando como eu penso que deveriam andar, a culpa é da liderança, não minha. Todavia, pensar assim só dificulta as coisas. Pois, além de não resolver os problemas, acaba fazendo com que fiquemos uns contra os outros.
            Precisamos compreender que o problema não está fora de nós, mas sim em nós. Sendo assim, para solucioná-lo, é necessário mudar a nós mesmos. Porém, esse tipo de mudança só Deus pode operar. Isto ocorre como um ato único por ocasião do novo nascimento, e como processo ao longo de toda a vida. Portanto, se servimos a Deus, temos de agir como Ele agiria (Efésios 5.1), fazendo bem aos que nos odeiam, orando pelos que nos perseguem, bendizendo os que nos maldizem e amando nossos inimigos (Mateus 5.44). Só pondo em prática os princípios do Reino conseguiremos conviver harmoniosamente como filhos do mesmo Pai.
Pr. Cremilson Meirelles

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