sexta-feira, 23 de setembro de 2016

SERVIR OU SER SERVIDO?

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa 

            Qual tem sido sua posição enquanto crente em Jesus Cristo? Você tem se empenhado em servir ou espera ser servido? Essas perguntas são muito mais profundas do que parecem. Porquanto, descobrem a “poeira jogada para debaixo do tapete”. Isto porque, a resposta exige uma análise minuciosa de nossas motivações e ações. Contudo, embora saiba que essa questão abrange cada área de nossas vidas, pretendo concentrar essa análise na esfera eclesiástica; ou seja, focaremos a vida cristã no seu aspecto coletivo.
            O primeiro ponto a ser considerado, é motivação para filiação. Isto é, o que leva o indivíduo a se associar a uma igreja local? Bem, na maioria das vezes, o que norteia a filiação é a emoção e a satisfação. Pois, tal como ocorre em relação ao consumo de bens materiais, o indivíduo idealiza um padrão e sai em busca de algo que corresponda às suas expectativas, cujo foco está naquilo que é “oferecido”. Assim, ao invés de procurar um local onde possa servir a Deus com outros crentes, busca-se um lugar que satisfaça os desejos.
            A fim de atender essa demanda, surgiu a “indústria do entretenimento gospel”, que, na verdade, é uma estrutura que visa agradar o cliente. Dessa maneira, instalou-se no meio evangélico uma “lógica de mercado”, motivada pela preferência dos consumidores. Com isso, diversos elementos do mercado econômico secular adentraram o campo religioso, a saber: oferta e procura, concorrência, marketing, etc. Isto fez com que as igrejas se tornassem mais produtoras de programas do que pregadoras do evangelho. Como resultado disso, os clientes se tornaram cada vez mais exigentes; de modo que os benefícios que a igreja, enquanto instituição, pode oferecer, passaram a ser o critério para filiação a uma igreja local.  
            Lamentavelmente, essa maneira de enxergar a “espiritualidade” cristã contaminou muita gente. Até mesmo nas igrejas históricas há esse tipo de raciocínio. Por conta disso, vemos pessoas que buscam a filiação ao rol de membros, exclusivamente, para atender seus anseios particulares, e não para servir a Deus e ao próximo; indivíduos que se servem da igreja, mas não servem a igreja, e nem servem com a igreja; buscam apenas satisfazer o desejo de cantar, falar à frente, exercer funções, prestando serviço ao próprio ego, e não a Deus.
            Tornar-se membro de uma igreja local deve ser a consequência natural da regeneração operada em nós pelo Espírito Santo, que nos leva a sermos participantes da vida comunitária daqueles que professam a fé em Jesus Cristo. Não pode ser resultado do desejo de exercer cargos e funções. Estas coisas são os meios, não o fim. Se alguém quer ser membro apenas para cantar, pregar ou qualquer outra coisa que não seja a comunhão com os irmãos, precisa urgentemente rever seus conceitos.
            Não podemos condicionar nossa filiação a uma igreja local àquilo que ela “pode nos oferecer”, mas devemos nos apresentar como servos onde quer que Deus nos envie. Até porque, se o reconhecemos como Senhor, o local onde congregaremos deve ser determinado por Ele. Entretanto, para que conheçamos Sua vontade é necessário orar e estudar as Escrituras. Do contrário, seremos apenas clientes do mercado evangélico.

Pr. Cremilson Meirelles


 

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