sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A IGREJA E AS ELEIÇÕES




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 Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

            Ao longo de 400 anos de história, os batistas se notabilizaram por defenderem a distinção e a separação entre Igreja e Estado, com base num princípio exarado pelo próprio Jesus, a saber: “dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mateus 22.21). Por conta disso, os pastores, enquanto líderes de suas congregações são, por natureza, apartidários, ou seja, não se posicionam em favor de nenhum partido político, e, por conseguinte, não direcionam o voto de suas ovelhas. Da mesma forma, a igreja, enquanto instituição religiosa, não se posiciona ao lado de nenhum candidato ou partido político, não recebendo, portanto, nenhuma espécie de auxílio financeiro desses indivíduos e entidades. Por essa razão, o templo batista é usado exclusivamente para culto ao Senhor. Nesse contexto, o único discurso cabível é a exposição bíblica. Sendo assim, ceder o púlpito para candidatos a cargos eletivos é algo inconcebível.
            Contudo, os membros da igreja são livres para, no exercício de sua cidadania, destinarem seu voto a quem quer que seja. É claro, entretanto, que devem fazê-lo de maneira consciente, levando em conta a competência do candidato, seu histórico político, seus projetos e seu posicionamento a respeito de questões que confrontam nossa fé e limitam nossa liberdade religiosa. O mesmo ocorre em relação à candidatura e ao apoio prestado a algum candidato. Isto é, os membros são livres para fazê-lo, desde que isso não envolva o nome da igreja à qual está filiado, uma vez que esta, como falamos, é apartidária. Todavia, o indivíduo que optar por esse caminho, deve lembrar que, mais do que candidato ou cabo eleitoral, é um discípulo de Jesus Cristo. Logo, suas ações devem ser condizentes com sua fé. Pois, seu testemunho como crente não deve ser manchado pelos excessos característicos do período que antecede as eleições.
            Apesar disso, lamentavelmente, essa não é a realidade de todas as igrejas evangélicas. Há púlpitos que se transformaram em verdadeiros palanques para comícios, pastores posam ao lado de candidatos, usando sua influência para levar os incautos a votarem em quem eles querem; há crentes vendendo seu voto por sacos de cimento, cargos comissionados e outros “benefícios”. A que ponto chegamos... Sinceramente, um candidato que oferece favores para conseguir votos, já deu provas suficientes de que é corrupto e indigno de seu voto.
            Outro ponto importante a ser destacado é a necessidade da manifestação do fruto do Espírito, sobretudo quando o assunto é política. Porquanto, em hipótese alguma, devemos entrar em brigas ou discussões calorosas relacionadas à defesa de um candidato (ou partido) ou de outro. Da mesma forma, após as eleições, devemos, com base no preceito bíblico, orar por nossos governantes (1Timóteo 2.1-3) e nos submeter à sua autoridade (Romanos 13.1-7); desde, é claro, que esta não infrinja a Lei do Senhor (Atos 4.18-20; 5.28,29).
            Visto isso, procuremos exercer, com consciência e responsabilidade, nossa cidadania; rogando a Deus que nos dê a direção certa também na hora de votar. Pois, como diz a Escritura, “as autoridades que há foram ordenadas por Deus”. Portanto, ninguém melhor do que Ele para nos ajudar nessa escolha. Que Deus o abençoe!
Pr. Cremilson Meirelles

 

          


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