sexta-feira, 1 de julho de 2016

MATURIDADE X CONHECIMENTO



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
 
Acredito que uma das grandes dificuldades na vivência eclesiástica é fazer uma clara distinção entre maturidade e conhecimento. Porquanto, lamentavelmente, é muito comum confundir conhecimento bíblico com maturidade cristã. Isto é, se alguém na igreja demonstra um bom conhecimento bíblico, naturalmente, é considerado apto para o exercício de cargos e atividades relacionadas ao ensino e à proclamação. Contudo, nem sempre essa bagagem bíblica é transportada por um cristão maduro. Às vezes, há muito conhecimento, mas pouca maturidade. Isto porque, há indivíduos que, ao invés de se humilhar diante de Deus, constantemente buscam exaltar-se, proferindo, muitas vezes, frases do tipo: “eu sei muito”, “sei mais que todos na minha classe de EBD”, “eu deveria ser o professor”, etc. Como é contraditória essa postura! Se alguém sabe muito a respeito das Escrituras, esse conhecimento deveria, na verdade, levá-lo à humildade, e não à soberba, haja vista que esta “precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Provérbios 16.18).   

É bem verdade, entretanto, que todos nós, como seres humanos e, sobretudo, como cristãos estamos em um processo de amadurecimento. A Bíblia deixa isso bem claro em Filipenses 1.6: “tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo”. De igual modo, em 2Pedro 3.18 somos motivados a crescermos “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Porém, sabemos também que nem todos os crentes estão no mesmo nível de maturidade. Alguns, por mais que possuam conhecimento, continuam agindo como meninos na fé (1Coríntios 3.1).

Embora possamos facilmente concordar com as afirmações acima, resta ainda uma questão: o que é maturidade cristã? Para responder a essa pergunta, basta recorrermos ao exemplo das frutas. Pois, quando as vemos alcançar um estado próprio para o consumo, dizemos que estão maduras. No entanto, entre o brotamento e a maturidade há um longo processo bioquímico. Da mesma forma, entre a conversão e a glorificação há uma longa caminhada na busca pela perfeição (Mateus 5.48). Esse processo de melhoramento do crente é chamado de “santificação” (Hebreus 12.14). A maturidade cristã consiste justamente nas atitudes e pensamentos que refletem o aperfeiçoamento que o Espírito Santo opera interiormente em nós.

Seguindo esse raciocínio, concluímos que nem mesmo a idade avançada deve ser considerada sinônimo de maturidade. Afinal, se fosse assim, não precisaríamos buscar a perfeição (Mateus 5.48), bastaria envelhecermos para nos tornarmos perfeitos. O mesmo se aplica ao conhecimento das Escrituras, porque há muitos que conhecem a Bíblia de cor e salteado, mas, tal como os fariseus, conscientemente, a descumprem, usando seu “conhecimento” para diminuir os demais servos do Senhor, arrogando para si, muitas vezes, o mais elevado saber.

Sinceramente, ao longo do tempo, tenho percebido que os que se acham sabichões, geralmente, sabem muito pouco. Até porque, o cristão maduro, ao adquirir mais conhecimento, torna-se cada vez mais piedoso. Porquanto, percebe o quão pequeno é diante do Todo-poderoso. Além disso, o amor por seus irmãos o leva a tratá-los com igualdade, tanto o analfabeto quanto o erudito. Portanto, conquanto o conhecimento seja importante, o que mais precisamos é de maturidade. Pois, sem ela, seguiremos desagradando o Senhor. Sendo assim, busque a cada dia mais maturidade. Cresça, não só no conhecimento, mas também na graça do Senhor Jesus!

 Pr. Cremilson Meirelles

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