sábado, 2 de abril de 2016

PÁSCOA OU RESSURREIÇÃO?



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa


A despeito do que muitos pensam e praticam, a páscoa não é uma festa cristã. Sua celebração tem muito mais a ver com o judaísmo que com o cristianismo. Basta verificar sua origem, pois esta remonta aos primórdios do povo de Israel (Êxodo 12.1-51), quando Deus os libertou da escravidão no Egito. Naquela ocasião, o Senhor infligiu uma dura pena sobre os egípcios, a saber, a morte de seus primogênitos. Somente as casas que estavam marcadas com o sangue do cordeiro na verga da porta, foram poupadas.
É evidente que esse episódio aponta para o sacrifício de Cristo na cruz (disso todos sabemos). Contudo, não há nenhuma ordenança bíblica referente à continuidade da celebração. Só existe ordenança relativa à continuidade da ceia e do batismo. Quanto à pascoa, vemos claramente que ela foi consumada em Cristo. Afinal, como diz a Escritura, “Cristo é a nossa páscoa” (1Coríntios 5.7), ou seja, Ele é o nosso cordeiro pascal. Foi o sangue d’Ele que nos livrou do juízo divino. Por isso, a Bíblia declara: “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8.1).
A celebração da páscoa era um “estatuto perpétuo” para a nação de Israel, não para nós. Os cristãos celebram a ressurreição de Jesus. Até porque, se acharmos que devemos observar a festa da páscoa porque é “estatuto perpétuo”, deveríamos também nos circuncidar, pois, em Gênesis 17.7-14, é dito que a circuncisão seria um “concerto perpétuo” entre Deus e a descendência de Abraão. Além disso, deveríamos celebrar a festa dos pães asmos, haja vista que também é “estatuo perpétuo” (Êx 12.17). Ora, é óbvio que essa perpetuidade referia-se apenas a Israel. O sacrifício de Cristo nos liberta de todo o cerimonial judaico. Porquanto, todo o seu simbolismo foi cumprido no ministério do Filho de Deus e em Sua Igreja.
Na Nova Aliança, a celebração da páscoa foi substituída pela Ceia do Senhor (Lucas 22.14-19; 1Coríntios 11.23-29), que é memorial da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Isto fica patente na afirmação do apóstolo Paulo: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venha”. Isto é, há na celebração da Ceia a renovação da expectativa acerca da vinda do Cristo glorificado (“até que venha”).
A atual celebração da páscoa nada tem a ver com as Escrituras. Sua observância foi instituída somente no século IV d.C. De lá pra cá, uma série de elementos estranhos, oriundos do paganismo, foram inseridos. O “Coelhinho da Páscoa” é um exemplo disso. Sua origem está vinculada à Eostra, divindade pagã associada à primavera, que, normalmente, era representada com um coelho ao seu lado. Além disso, de acordo com o mito da deusa da primavera, o coelho que a acompanha era, anteriormente, um pássaro que foi curado por ela e transformado em coelho. Como a transformação não foi completa, o coelho da lenda continuou colocando ovos.  
Foi com base nessa crença pagã que surgiram os famosos ovos de chocolate. Os comerciantes se aproveitaram da religiosidade popular e fizeram do “Coelhinho da Páscoa” seu “garoto propaganda”. É evidente que eles alcançaram seu objetivo. Afinal, até os evangélicos foram escravizados pela tradição do “ovo de páscoa”. Não importa o quanto seja ensinado, no fim o ovo de chocolate sempre vence. O mesmo ocorre com a tradição de comer peixe na “sexta-feira santa”.
Todavia, é importante que tenhamos em mente que esses elementos não têm nenhuma relação com Cristianismo bíblico. Sendo assim, é necessário que retornemos às Escrituras e celebremos exclusivamente a ressurreição do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Deus o abençoe!
Pr. Cremilson Meirelles

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