segunda-feira, 25 de abril de 2016

A BÍBLIA E O PASTORADO FEMININO - PARTE I

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
            A maioria dos evangélicos, ao ser questionado acerca da veracidade das Escrituras Sagradas, responde com bastante convicção, dizendo: “a Bíblia é a Palavra de Deus”! Contudo, alguns, quando advertidos a respeito de um comportamento ou pensamento errado, com base nessa mesma Palavra, tendem a rejeitar o que lhes é dito. Com isso, deixam transparecer a ideia de que, embora a Bíblia seja a Palavra de Deus, ela não norteia suas vidas. Este papel, na verdade, é transferido para cultura e para a experiência.
            Todavia, se pensarmos na afirmação comum de muitos crentes (a Bíblia é a Palavra de Deus), em hipótese alguma poderíamos agir ou pensar dessa maneira. Até porque, ao dizermos que a Bíblia é a Palavra de Deus, estamos assumindo que ela não contém erros. Porquanto, Deus não erra. Além disso, se reconhecemos que ela “é” a Palavra de Deus, e não que ela “foi” a Palavra de Deus, é porque entendemos que ela continua atual, ou seja, ainda é válida; não se trata de um livro que contém histórias e pensamentos antigos, mas da revelação divina aos homens. Ora, se de fato pensamos assim, tudo o que a Bíblia nos disser deve ser regra para nós, não importando o quanto fira nosso ego.
            Partindo desses pressupostos, pretendo, a partir desta pastoral, analisar o que a Bíblia diz sobre o pastorado feminino. Pois, se você concorda com o que foi dito acima, deve, necessariamente, concordar que, se a mulher deve ser pastora ou não, isso não pode ser decidido por nós. Afinal, a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática, não o que os outros fazem ou o que achamos que deve ser feito. Ela é a Palavra de Deus infalível, inerrante e autoritativa. O que ela diz, Deus diz. Veja, por exemplo, o texto de Gênesis 12.1-3, onde percebemos claramente que é Deus quem fala a Abraão. Ao citar essa passagem, em Gálatas 3.8, Paulo afirma que foi a Escritura quem falou a Abraão. Isto porque, o que a Bíblia diz é o mesmo que Deus diz.
            Sendo assim, analisemos, pois, o texto de 1Timóteo 2.11-15, o qual, nos versículos 11 e 12, faz declarações que incomodam muita gente: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio”. Diante disso, muitos chamam Paulo de machista, e defendem a ideia de que essas afirmações estavam restritas àquele tempo, isto é, valiam só para aquela época. No entanto, se entendermos que há partes da Bíblia que não valem mais, estaremos dizendo que ela não é plenamente a Palavra de Deus. Aliás, como poderemos saber se não há outros textos que não servem mais para nós? Como poderemos confiar nas Escrituras? Quem estará apto a dizer o que serve e o que não serve? Viu como não podemos, simplesmente, descartar os textos que nos incomodam? O que fazer, então? Simples: interpretá-los à luz do seu contexto, a fim de descobrir a intenção do autor humano. Pois, já que ele foi inspirado por Deus, sua intenção coincide com a do Todo-poderoso.
            A primeira coisa, portanto, a ser destacada é que o apóstolo Paulo, no referido texto, trata de questões específicas, contextuais; ele não está dizendo que a mulher não pode ensinar nada a ninguém. Até porque, se assim fosse, a Bíblia e o apóstolo estariam se contradizendo, uma vez que encontramos diversas indicações no texto bíblico de que a mãe ensinava seus filhos. Um exemplo claro disso, está em Provérbios 31.1, que diz: “Palavras do rei Lemuel, a profecia que lhe ensinou sua mãe”. De igual modo, em Tito 2.3-5, Paulo diz que as mulheres mais velhas deveriam ensinar as mais novas. Em Atos 18.24-26, vemos também uma mulher (Priscila) junto com o marido (Áquila) ensinando a um homem (Apolo).
Continua...
Pr. Cremilson Meirelles

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