sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O CRISTÃO PODE JULGAR?



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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“Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7.1,2). Este, certamente, é um dos versículos mais mal interpretados de toda a Sagrada Escritura. Porquanto, o usam para defender a ideia de que Jesus condena a utilização do senso crítico, o que nada tem a ver com o contexto. A advertência do Mestre é direcionada ao julgamento hipócrita, praticado continuamente pelos fariseus. Até porque, se Sua intenção fosse proibir qualquer tipo de julgamento, teríamos de admitir que o Filho de Deus se contradisse, pois, em João 7.24, afirmou: “não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” Ora, como poderia o Rei dos reis dizer algo numa ocasião e, logo em seguida, mudar de ideia, sem nem explicar o porquê? Seria, no mínimo, estranho.
Além disso, há outras passagens bíblicas que incentivam o julgamento. Paulo, por exemplo, ao orientar os coríntios acerca da resolução de conflitos no interior da igreja, ressalta: “não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1Coríntios 6.2,3)
Se vamos julgar os anjos, como podemos ser impedidos de julgar questões menores? Aliás, na mesma carta, o apóstolo declarou categoricamente: “e falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1Coríntios 14.29). Mas como fazemos esse tipo de julgamento? Da mesma forma que procederam os crentes de Beréia, os quais “de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17.11).
O mais interessante é que, se lermos todo o capítulo 7 de Mateus, veremos que, no mesmo contexto (o sermão do monte), o mesmo Jesus que disse “não julgueis”, ensina seus discípulos a julgar os profetas por meio de seus frutos (Mateus 7.15-20).  Além do mais, em Mateus 12.34, Jesus claramente julga os maus atos dos fariseus, chamando-os de “raça de víboras” e de “maus”. Da mesma forma, em Mateus 23, Ele denuncia publicamente a hipocrisia dos líderes religiosos, chamando-os de “insensatos e cegos” (Mateus 23.19).
Definitivamente, é impossível ser um cristão de verdade sem julgar. Como saberemos, por exemplo, que alguém anuncia um “outro evangelho” (Gálatas 1.8) se não julgarmos? Como saberemos quem é herege (Tito 3.10, 2Pedro 2.1) se não julgarmos? Como poderemos “condenar as obras infrutuosas das trevas”, se não julgarmos?
Mesmo depois dessas explicações, ainda há aqueles que ficam com medo de condenar as atitudes dos “apóstolos”, “bispos”, “missionários” e “pastores” que propagam heresias a torto e a direito, porque os consideram “ungidos do Senhor”. Querido, no Novo Testamento, todos somos ungidos do Senhor (1João 2.20). Não existem “super crentes”!  Davi disse que não MATARIA Saul por ele ter sido ungido pelo Senhor, mas não deixou de criticá-lo. Basta ler 1Samuel 24.10-16 para perceber que Davi critica Saul por sua maldade.
Portanto, alimentemo-nos constantemente da Palavra, de modo que possamos julgar sabiamente, denunciando o falso ensino sempre que se nomear entre nós, apontando os falsos apóstolos, tal como Paulo fez (2 Coríntios 11.13), a fim de que o rebanho seja protegido dos “lobos cruéis” (Atos 20.29) e o Evangelho de Jesus Cristo seja continuamente proclamado.
Pr. Cremilson Meirelles

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