sexta-feira, 17 de julho de 2015

QUEM SÃO AS DUAS TESTEMUNHAS DO APOCALIPSE? PARTE II

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Como afirma o escritor Adolf Pohl, “para a interpretação das duas testemunhas inicialmente deixamos de lado o número dois”. Até porque, conforme destacamos na pastoral anterior, o apocalipse é um gênero literário que emprega uma linguagem essencialmente simbólica. Isto fica evidente na abrangência da proclamação das testemunhas. Seus alvos são “homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações” (Apocalipse 11.9), ou seja, todos “os que habitam sobre a terra” (Apocalipse 11.10). Como, pois, dois homens apenas, poderiam pregar o Evangelho a um grupo tão amplo?
É importante ressaltar também que, no Antigo Testamento, todo o povo de Israel é identificado como testemunhas do Senhor (Isaías 43.10). Contudo, o texto do Apocalipse não se refere ao Israel físico, mas, sem dúvida, aponta para o Israel espiritual (Gálatas 3.29; 6.16). Afinal, em apocalipse 11.8, diz-se que o “seu Senhor foi crucificado”. Como o Israel físico não tinha Cristo como Senhor, concluímos que as duas testemunhas são, na verdade, um recurso simbólico para referir-se à Igreja.
Outro detalhe a ser observado, é a afirmação de que as duas testemunhas “são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra” (Apocalipse 11.4). Este versículo constitui uma clara referência à visão profética registrada em Zacarias capítulo 4, onde as duas oliveiras são identificadas como “os dois ungidos, que estão diante do Senhor de toda a terra” (Zacarias 4.14). Esta imagem alude a Zorobabel, o governador de Israel, e Josué, o sacerdote, homens que viveram no tempo de Zacarias, os quais representavam o povo que regressara do cativeiro na Babilônia. Eles são as duas oliveiras citadas pelo profeta.
Todavia, em Zacarias 4.2,3, as duas oliveiras são mencionadas próximas a um único castiçal, contrariando Apocalipse 11.4, que fala de “dois castiçais”, os quais alguns identificam como sendo dois profetas. No entanto, o castiçal de Zacarias não representa pessoas. Ora, já que Apocalipse 11 toma por base o texto de Zacarias, não dá para levar ao pé da letra e dizer que os castiçais são dois homens. Mas o que são então? 
No livro de Zacarias, o castiçal, objeto usado para iluminar o santo lugar (parte do tabernáculo onde os sacerdotes partiam o pão da proposição), representa o testemunho que o templo e a comunidade judaica davam acerca do Senhor. Porquanto, o azeite de oliva posto no castiçal visava difundir a luz e dispersar as trevas. Dessa forma, como explica a escritora Joyce G. Baldwin, “[...] através da vida e do culto diários o povo deveria ser uma luz para outros”. 
De igual modo, Jesus, após chamar seus discípulos de “luz do mundo”, orienta-os a resplandecerem sua luz aos homens por meio das obras, a fim de glorificar o Pai (Mateus 5.14-16). Por isso, a igreja é chamada de castiçal no apocalipse, pois, por intermédio do testemunho do Corpo de Cristo, as trevas são dissipadas. Porque, conquanto a única luz verdadeira seja o próprio Jesus (João 8.1), Ele decidiu fornecer Sua luz ao mundo através de Sua igreja.  
Vale salientar ainda que as duas testemunhas são retratadas no Apocalipse vestidas de pano de saco (11.3). No Antigo Testamento, os profetas se vestiam assim a fim de protestar contra um pecado do povo e chama-lo ao arrependimento, ressaltando a vinda do juízo iminente. É exatamente isso que a igreja faz ao longo de toda a sua existência. Por essa razão, o texto diz que as testemunhas “profetizarão por mil duzentos e sessenta dias”. Isto é, a igreja seguirá proclamando o Evangelho no período compreendido entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. 
Pr. Cremilson Meirelles

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