sexta-feira, 12 de junho de 2015

POR QUE NÃO FALAMOS LÍNGUAS ESTRANHAS? PARTE XV

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

Enfim chegamos à última pastoral sobre o tema das línguas. Entretanto, para fechar, é preciso relembrar alguns aspectos. O primeiro deles é que as línguas faladas em Corinto eram diferentes das de Atos. Tratava-se de algo que ninguém entendia, e que, ao contrário do que aconteceu no dia de Pentecostes, gerava confusão. Por isso, Paulo afirma veementemente: “Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos” (1Coríntios 14.33). Ora, essa declaração do apóstolo deixa bem claro que nas outras igrejas aquela confusão não acontecia, pois não havia o problema das línguas incompreensíveis.
O segundo aspecto a ser pontuado é que o dom original de falar línguas é o de Atos 2. Não há nada na Escritura que diga que o dom mudou e se transformou em línguas desconhecidas. Em Atos 2 todos entendiam (Atos 2.6) o que era falado, em Corinto não (1Coríntios 14.2). Percebendo essa diferença, Paulo chega a dizer que preferia falar cinco palavras em um idioma que todos compreendessem do que dez mil na língua falada pelos coríntios (1Coríntios 14.19). Porquanto, falar as línguas coríntias, no entender do apóstolo, seria o mesmo que agir como criança. Pensando assim, ele diz: “Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia e adultos no entendimento” (1Coríntios 14.20).
            Reforçando a ideia de que as línguas verdadeiras eram idiomas humanos (como o inglês, o francês, etc), Paulo cita Isaías 28.11, dizendo: “Está escrito na lei: Por gente doutras línguas e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor”. Vale ressaltar, que, na ocasião em que proferiu essa frase, Isaías referia-se à invasão assíria, que serviria de juízo para o povo de Israel. Afinal, já que não estavam querendo ouvir a Deus, teriam de, obrigatoriamente, ouvir a voz do inimigo, que invadiria a nação e levaria o povo cativo. Perceba que tanto o profeta quanto o apóstolo tinham em mente idiomas humanos, e não “línguas de anjos”. Seguindo esse raciocínio, Paulo salienta que “as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis” (1Coríntios 14.22). Isto porque, os fiéis, tanto no passado quanto no presente, davam ouvidos às profecias e se arrependiam. Os infiéis, por outro lado, desprezam as profecias (1Tessalonicenses 5.20), tal como fizeram os israelitas no tempo de Isaías, insistindo no erro de viver do seu próprio jeito, ignorando os apelos divinos. Era assim que os coríntios agiam: desprezavam as profecias (pregação do Evangelho) e se apegavam às línguas desconhecidas, considerando-as como sinal de espiritualidade. Paulo destaca que, se eles continuassem com aquela loucura, seriam taxados de loucos, e não de espirituais (1Coríntios 14.23).
Outro ponto importante é a inexistência de intérprete das línguas esquisitas entre os coríntios. Isso fica evidente ao longo do texto. Paulo fala repetidas vezes que ninguém compreendia o que era falado (1Coríntios 14.2,9,13,14,16,19,23). Justamente porque não havia quem pudesse interpretar aquilo. Em adição, vale frisar que a palavra traduzida como “interpretar”, em 1Coríntios 14, dá a ideia de tradução de idiomas. Ora, Paulo utiliza o argumento da interpretação das línguas para impedir a prática coríntia, mostrando-lhes que, se fosse um idioma de verdade (e não era), poderia ser traduzido. Se não fosse, o indivíduo deveria ficar calado (1Coríntios 14.28). Veja que Paulo diz que antes de alguém falar alguma “língua” deveria procurar saber se havia um intérprete presente, e só poderiam falar dois ou três (1Coríntios 14.27). O apóstolo estava impondo controle e ordem à prática coríntia. Contudo, havendo controle e ordem não haveria o “fenômeno”, visto que sua característica marcante é a desordem.
Em suma, Paulo queria que eles deixassem de lado toda aquela loucura e se voltassem para a sã doutrina. Definitivamente, ele não apoiou as línguas faladas em Corinto. Por mais que hoje vejamos, em alguns lugares, pessoas que dizem interpretar as famosas “línguas estranhas”, vemos a mesma incoerência e falta de razão de ser. Pois, como disse o apóstolo, esse tipo de línguas não serve para nada, só massageia o ego (1Coríntios 14.4). Aliás, se de fato é um idioma, por que nunca vemos duas pessoas conversando nessas línguas? Por que muitos repetem apenas frases, como “Laba Súbia Sury Canta Covas Nay”? Os que falavam as línguas de Atos magnificavam a Deus (Atos 10.46) e pregavam as boas novas (Atos 19.6). Não era isso que os Coríntios faziam. Por isso, Paulo fala bastante sobre a superioridade da profecia. Portanto, fique com as Escrituras e não com a experiência. Pregue a Palavra de maneira que todos compreendam. Deus o abençoe!

Pr. Cremilson Meirelles 

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