quinta-feira, 26 de março de 2015

POR QUE NÃO FALAMOS LÍNGUAS ESTRANHAS? PARTE V

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
Sempre que falamos que todo crente recebe o Espírito Santo quando crê, aparece alguém citando o episódio narrado em Atos 19, a fim de justificar a ideia de que o “batismo no Espírito Santo” só acontece um tempo depois da conversão e é evidenciado por línguas incompreensíveis. Será que isso é verdade? É o que vamos ver nas linhas abaixo.
Ao contrário do que muitos pensam, Atos 19 prova que o Espírito Santo é dado no momento da conversão. No versículo 2, Paulo faz uma pergunta que expressa o que ele mesmo entendia acerca do assunto. Dirigindo-se aos discípulos de Éfeso, o apóstolo questiona: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes”? Por que ele fez essa pergunta? A resposta é clara: ele cria que o normal é recebermos o Espírito Santo assim que manifestamos a fé em Cristo, não um tempo depois. Tanto, que, em Efésios 1.13, ele declara: “[...] e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”.
Além do mais, Atos 19.1-7 traz o relato de um incidente incomum. O texto não está estabelecendo uma regra, como pensam alguns. Até porque, ao analisarmos o contexto, verificamos que o próprio Paulo tinha dúvidas a respeito da veracidade da fé daqueles homens. Por isso, perguntou se eles haviam recebido o Espírito Santo quando creram. A resposta dos ditos “discípulos” confirma a desconfiança de Paulo: eles não eram cristãos de fato. Isto fica evidente em sua resposta: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo” (Atos 19.2). Depois disto, Paulo imediatamente pergunta: “Em que sois batizados, então”? Afinal, todo convertido era imediatamente submetido ao batismo nas águas, e este era feito em nome do Pai, do Filho e Espírito Santo (Mateus 28.19). Se eles eram “discípulos” de Cristo, como poderiam não saber quem era o Espírito Santo?
Aqueles homens professavam uma fé incompleta, possivelmente, baseada na pregação de Apolo, o qual passara por Éfeso propagando o discurso e o batismo de João batista (Atos 18.24-26). Eles não conheciam o Evangelho, só o ensino de João. Portanto, tal como ocorreu com Apolo, os discípulos de Éfeso precisavam conhecer “mais pontualmente o caminho de Deus” (Atos 18.26).
Assim, tendo lhes apresentado a mensagem da cruz, Paulo os batizou e impôs as mãos sobre eles. Então, diz o texto, “veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam”. Diante disso, precisamos questionar: como o escritor poderia saber que eles “profetizavam” se não conseguisse entender o que estavam falando? Ora, é óbvio que as línguas faladas eram perfeitamente compreensíveis. Eles ouviram o Evangelho, creram, e só então receberam o Espírito Santo. Contudo, como falamos acima, o texto não é uma regra. Trata-se de uma ocorrência sem igual, que, por conseguinte, não acontecerá de novo. A regra é: receber o Espírito Santo no momento da conversão (Efésios 1.13). Afinal, quem não tem o Espírito de Cristo não é dEle (Romanos 8.9).  Até porque, o Espírito é a garantia da nossa herança (Efésios 1.14).

Pr. Cremilson Meirelles



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