sexta-feira, 20 de março de 2015

POR QUE NÃO FALAMOS LÍNGUAS ESTRANHAS? PARTE IV

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
dom de línguas?
Outra ocorrência do fenômeno das línguas no livro de Atos dos apóstolos está registrada no capítulo 10, ocasião na qual um grupo de gentios de Cesareia pode ouvir o Evangelho apregoado por Pedro e receber o Espírito Santo, o que foi evidenciado pela manifestação do dom de línguas. Entretanto, fica bem claro no texto que as línguas faladas ali eram idiomas humanos, uma vez que, por meio das línguas, eles magnificavam a Deus (Atos 10.46). Ora, como o escritor do livro saberia que eles “magnificavam a Deus” se as línguas fossem incompreensíveis? Além disso, Pedro questiona: “pode alguém, porventura, recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam, COMO NÓS, o Espírito Santo” (Atos 10.47;11.17)?  Isto é, o apóstolo afirmou que estava acontecendo com os gentios o mesmo que ocorrera aos discípulos em Atos 2, ou seja, estavam falando línguas que todos entendiam, sem nunca terem aprendido.
Cabe salientar, no entanto, que o episódio em questão tinha um propósito muito maior do que meramente registrar mais uma ocorrência do dom de proferir línguas estrangeiras não aprendidas. Na verdade, o que houve em Cesareia serviu, sobretudo, para mostrar que, a despeito dos preconceitos judaicos, Deus estava recebendo os gentios em Sua igreja. Porquanto, até ali, havia entre os discípulos uma resistência muito forte em relação à conversão dos não judeus.
O capítulo 11 de Atos reforça essa ideia, pois, assim que chega à Jerusalém, Pedro é acusado de se associar a incircuncisos (Atos 11.3), como se isso fosse algo terrível. O apóstolo prontamente explica que fora o próprio Deus quem conduzira todo o processo, inclusive, derramando seu Espírito sobre os que ouviram sua pregação. Portanto, perguntou Pedro, “se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, quando cremos no Senhor Jesus Cristo, quem era, então, eu, para que pudesse resistir a Deus” (Atos 11.17)?  Diante dessa assertiva, os que recriminavam a atitude de Pedro compreenderam que também os gentios eram alvo do amor de Deus.
Observamos, contudo, que naquele episódio o Espírito Santo foi recebido antes do batismo nas águas. O texto relata que o Espírito desceu sobre os presentes no momento da conversão (Atos 10.44), o que reforça o conceito bíblico de que recebemos o Espírito Santo quando cremos (Efésios 1.13). Eles ouviram o evangelho, creram nele, e pronto. Ninguém precisou “buscar” o batismo no Espírito Santo. Bastou receber Cristo como Senhor e Salvador para que o “batismo” ocorresse.
Querido, não há uma passagem bíblica sequer que nos mande buscarmos o “batismo no Espírito Santo”. Somos convidados, ao contrário, a “buscar o Senhor enquanto se pode achar”, não somente uma experiência. Até porque, a palavra batismo significa mergulho. Logo, ser “batizado no Espírito Santo” é, na verdade, mergulhar nEle, tal como um peixe mergulha no mar. Sabe o que isso significa? Que assim como o peixe só tem vida dentro d’água, só há nova vida no Espírito Santo. Isto é, devemos depender dEle, nos alimentar dEle, e sermos dominados por Ele, como peixes envolvidos pela imensidão do mar.
Pr. Cremilson Meirelles



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