sexta-feira, 13 de março de 2015

POR QUE NÃO FALAMOS LÍNGUAS ESTRANHAS? PARTE II

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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No versículo 4 de Atos 2, recebemos a informação de que todos os presentes foram “cheios do Espírito Santo”. Isso não significa que eles começaram a se tremer como se estivessem recebendo uma descarga elétrica. Até porque, em nenhuma outra situação em que a Bíblia afirma que alguém foi “cheio do Espírito Santo” somos informados acerca de tremedeiras, respirações mais fortes ou coisas do gênero. Na verdade, o que Pedro faz, em Atos 4.8-13, ao ser cheio do “Espírito Santo”, é falar com ousadia e autoridade sobre o Evangelho de Jesus Cristo.
Ser cheio do “Espírito Santo” é render-se ao domínio do Espírito de Deus. Contudo, isso não tem nada a ver com transe ou êxtase, mas diz respeito à obediência natural à vontade do Senhor. De modo que, ainda que possamos ser mortos ou espancados, preferimos obedecer a Deus (Atos 5.29). Apesar disso, é necessário frisar que, o enchimento do Espírito também visa à capacitação para o exercício de um ministério específico, como foi o caso de João Batista (Lucas 1.15-17), que foi “cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe” para poder proclamar a Palavra de Deus às multidões. Por outro lado, há ocasiões nas Escrituras nas quais um indivíduo é cheio do Espírito Santo para a realização de uma tarefa imediata. Zacarias, pai de João Batista, por exemplo, foi preenchido pelo Espírito antes de profetizar, ainda que seu ofício fosse de sacerdote, e não de profeta (Lucas 1.67-79). Isto é, Zacarias foi capacitado só para aquele momento.
Mas será que ser “cheio do Espírito Santo” é o mesmo que falar línguas? Antes de responder a essa pergunta, é preciso saber que tipo de línguas foram faladas pelos discípulos. Será que foram “estranhas”? É claro que não! O texto diz que eles “começaram a falar em outras línguas”, não em línguas estranhas. Nos versículos seguintes fica bem claro que as línguas faladas no dia de pentecostes eram humanas, idiomáticas, tais como o grego e o hebraico. Tanto, que o texto afirma claramente que “cada um os ouvia falar na sua própria língua” (Atos 2.6).
Eles não estavam falando “línguas dos anjos”, haja vista que tais línguas não existem. Afinal de contas, a língua (o idioma) só é conhecida quando as cordas vocais do indivíduo vibram e essa vibração é transmitida às moléculas do ar, chegando aos ouvidos de outra pessoa. Diante disso, eu pergunto: anjo tem cordas vocais? A Bíblia diz que eles são “ESPÍRITOS ministradores” (Hebreus 1.13,14). Ora, como o próprio Jesus disse, “um espírito não tem carne nem ossos” (Lucas 24.39). Logo, não tem também cordas vocais. Como os anjos se comunicam entre si, então? Não sei. Só sei que não é da mesma forma que nós, pois são espíritos. Por isso, concluímos facilmente que, em 1Coríntios 13.1 Paulo fala de impossibilidades. Porquanto, assim como ninguém pode falar todas as línguas dos homens, conforme ele declara no texto citado, não há quem possa falar as línguas dos anjos. Ele está dizendo que, mesmo que alguém conseguisse fazer o impossível, se tal atitude não fosse motivada pelo amor, não valeria de nada.
Continua...
Pr. Cremilson Meirelles



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