segunda-feira, 24 de março de 2014

POR QUE ELES TÊM QUE PREGAR COM A MESMA VOZ?

                Desde a primeira vez em que ouvi um pregador reproduzindo a voz de seu líder denominacional achei muito esquisito. Na mesma hora questionei: qual a razão disso? Será que é uma das normas desse grupo? Mas com que finalidade se faz isso? Sem dúvida, essas perguntas permearam muitas mentes, sem, contudo, obter uma resposta convincente. Alguns, por exemplo, tentando justificar essa anomalia, dizem que isso acontece quando as pessoas ficam muito juntas. Porém, essa ideia é facilmente refutada, pois todos nós convivemos durante anos com as mesmas pessoas (nossos familiares), mas nem por isso falamos todos com a mesma voz. Eu hein! Por outro lado, há ainda quem diga que isso ocorre, naturalmente, quando admiramos muito alguém. Outra falácia, porque, se fosse assim, quanta gente estaria falando com a mesma voz de cantores e atores por aí. Ora, eu admiro algumas pessoas, mas não imito suas vozes.
            Como explicar esse fenômeno, então? Acredito que há um doutrinamento, que baseia-se num acordo que se assemelha ao sistema de franquias comerciais. Isto é, trata-se de uma operação na qual aquele que assina o “contrato” deve, necessariamente, utilizar a marca e o padrão operacional da empresa, além de lhe pagar uma taxa mensal, ou seja, um percentual do volume arrecadado por conta do uso da imagem. O Mcdonald's é um exemplo claro desse sistema. Onde quer que você vá, o uniforme, as promoções, o atendimento e os lanches seguirão o mesmo modelo. É isso que acontece nessas igrejas. O padrão a ser seguido é previamente determinado pelo líder: a forma de se vestir, de cantar, cultuar, de pregar, etc. Assim como os Mcdonald's brasileiros tomam emprestada a fama da empresa norte americana, as igrejas filiais se promovem a partir do carisma de seu líder. Tanto, que, em muitas delas, há uma foto do indivíduo na fachada do templo. Assim, falar com a mesma voz é mais uma maneira de vincular os “pastores subalternos” ao líder carismático.
            A aplicação desse sistema empresarial ao Cristianismo, entretanto, é extremamente maléfica, visto que despersonaliza o indivíduo, transformando-o numa mera cópia, uma sombra de uma figura que passa a ser, por conta dessa centralização, praticamente idolatrada. As pessoas vão a essas reuniões porque sentem que estão na presença de seus ídolos, manifestados através de seus lacaios, que funcionam, mais ou menos, como “avatares” desses personagens midiáticos. Porquanto, tal como acontece com o Mcdonald's, comparecer à filial é o mesmo que ir até a sede. Eles servem o mesmo “lanche” (pregação), as mesmas promoções (campanhas e promessas) e o mesmo atendimento (a forma de falar e agir); tem até o serviço de delivery (entrega = programa de TV/Rádio)! Ao invés de seguir a Cristo, a multidão é inconscientemente direcionada a seguir um ser humano igualmente carente da graça divina.
            Não dá para compactuar com isso! A Bíblia nos convida a imitarmos a Cristo (1Co 11.1); essa imitação, no entanto, nada tem a ver com reprodução vocal, mas com nossas vidas. Devemos imitar o mestre nas suas atitudes morais e espirituais, mas não em seus trejeitos ou em sua voz. Fazê-lo iria evidenciar uma lavagem cerebral, uma espécie de obsessão, ou qualquer outra coisa que fuja à normalidade, mas nunca um relacionamento íntimo com Ele.
Pregar com a mesma voz é mais uma das loucuras do movimento gospel. É uma estratégia para vender um produto; ainda que esse “produto” seja simbólico. Não podemos considerar isso normal. Cada um deve pregar ou cantar de acordo com suas características individuais, sem imitar alguém. De outra maneira, perdemos nossa identidade. Sigamos ao Mestre e à Sua Palavra, não a homens falhos como nós. Afinal de contas, Deus deu a cada um uma voz diferente.

Pr. Cremilson Meirelles
           
            

2 comentários:

  1. Show!!! Estou de acordo, creio que cada pregador do evangelho tem sua característica. A falta de personalidade é uma coisa séria!!!

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    1. Infelizmente, nem todos pensam assim. Muitos, na verdade, nem conseguem perceber essa grotesca caracteristica do neopentecostalismo.

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