sábado, 21 de dezembro de 2013

“AMIGO OCULTO” OU “PRESENTEADOR OCULTO”?

 
            É muito comum, nos últimos dias do ano, sermos convidados (ou intimados) a participarmos de um momento de troca de presentes, comumente chamado de “amigo oculto”, “amigo secreto”, “amigo invisível”. Esse evento, que tem lugar nas festas que caracterizam esse período (Natal, Ano Novo), se tornou, com o passar do tempo, uma tradição mundialmente conhecida. Assim, na atualidade, é realizado com frequência entre os colegas de trabalho, membros de igrejas, vizinhos, familiares, amigos, etc.
A despeito das críticas de extremistas evangélicos, acredito que os problemas dessa prática nada têm a ver com sua origem, seja ela pagã ou não. Vejo essa brincadeira como mais um fator motivador do consumismo e coisificador do ser humano. Isto porque, de amizade ela não tem nada. O que prevalece, na verdade, é o desejo de receber, não de dar; só dou porque sei que vou receber. Há uma espécie de relação comercial nisso: toma lá, dá cá. Muitos, inclusive, dependendo da qualidade do presente recebido, nem querem participar mais, pois criam uma expectativa que nem sempre é atendida. Acham que deveriam ganhar algo igual ou melhor do que aquilo que deram; quando isso não ocorre, ficam frustrados. Participar do evento vale a pena na medida em que eu sou beneficiado. O outro se torna um mero presenteador, não um amigo. Aliás, embora, na maioria das vezes, a brincadeira aconteça entre conhecidos, existe sempre a possibilidade de um desconhecido participar. Isso aumenta as chances de recebermos presentes que nunca usaremos.
Nessa atividade, o conceito de amigo é completamente descaracterizado, visto que o “amigo” é alguém que eu não sei quem é, mas do qual eu anseio receber um presente. Parece que quase dá para ouvir a mensagem implícita: só é meu amigo quem me presenteia; não importa quem seja, de onde vem; não quero nem vê-lo no resto do ano, apenas na hora de receber meu presente. Isso é amizade? É claro que não! Não há qualquer relacionamento entre os “amigos” a não ser no momento da troca de presentes. É óbvio que, em algumas situações, pode até acontecer de tirarmos alguém com quem realmente tenhamos afinidade. Mesmo assim, uma amizade verdadeira não depende de bons presentes, mas de companheirismo, cumplicidade, amor e perdão. Por isso, creio que “presenteador oculto” seria um nome mais apropriado para essa brincadeira.     
Por outro lado, a expressão “amigo secreto” é um tanto quanto contraditória. Porquanto, se alguém, de fato, é meu amigo, como posso não saber quem é? Amizade implica relacionamento, proximidade. Contudo, entendo que a expressão é somente um título para a brincadeira. Não sou maluco. Mesmo assim, penso que para promovermos uma atividade que fortalecesse os vínculos de amizade, ao invés de dar presentes, deveríamos fazer o mesmo sorteio, mas levar os participantes a passar um tempo com a pessoa que tiraram. Talvez, fazendo uma visita, almoçando juntos[1]. É possível que tal iniciativa contribuísse para a diminuição das panelinhas, sobretudo, no contexto das igrejas.
Pr. Cremilson Meirelles




[1] Tomando, é claro, as devidas precauções para evitar problemas relativos às relações entre homens e mulheres.

4 comentários:

  1. Para um homem que se diz pastor, você está desviando o conhecimento das pessoas a respeito dessa festa diabólica

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  2. Para um homem que se diz pastor, você está desviando o conhecimento das pessoas a respeito dessa festa diabólica

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    1. Se você se refere ao natal e à festa de ano novo, sugiro que você leia os seguintes artigos, disponíveis neste blog:
      "Devemos celebrar o natal?"
      Basta acessar a aba "artigos" na parte superior do blog, ou seguir o link abaixo.
      http://pastorcremilson.blogspot.com.br/2013/11/devemos-celebrar-o-natal.html
      Outro artigo importante é "O poder do paganismo".
      Para lê-lo, basta acessar a aba "artigos" na parte superior do blog, ou seguir o link abaixo.
      http://pastorcremilson.blogspot.com.br/2013/12/o-poder-do-paganismo.html

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