quarta-feira, 3 de julho de 2013

O DISCÍPULO ANÔNIMO



Em Lucas 11.1, encontramos não sei quem, falando com Jesus não sei aonde. Isto porque, no texto, não nos é dito o nome do discípulo nem o lugar onde o episódio ocorre. O personagem é apresentado apenas como um dos discípulos de Jesus. O mais interessante, entretanto, é o que a atitude daquele discípulo desencadeou algo que marca vidas até hoje, a saber, a oração do Pai nosso. Embora saibamos que muitos a utilizam apenas como meras repetições, essa oração serve de modelo para todos nós. a partir daí, podemos perceber que, ainda que seu nome não seja mencionado pelo evangelista, sua atitude é um exemplo para nós. É óbvio que aquele homem sabia orar. Afinal, ele era israelita. Os fariseus ensinavam que a justiça prática envolvia "esmolas, oração e jejum". Além disso, tanto os fariseus como João Batista haviam ensinado fórmulas de oração para seus discípulos. Por isso, ele entendeu que nem João Batista "o maior homem nascido de mulher", nem os fariseus eram superiores a Jesus. Ao invés de desejar aprender as orações ensinadas por eles, ele decide aprender com Jesus. Até porque, para ele Jesus era o referencial, não João. A forma como Jesus orava era diferente de qualquer outro. tratava-se de um relacionamento íntimo com o Pai. Aquele discípulo entendeu que algo precisava ser mudado em sua vida. ele queria ser como Jesus.
Na atualidade, infelizmente, a maioria dos ditos discípulos não querem ser anônimos, querem influenciar as pessoas como o anônimo fez, porém desejam fazê-lo através de sua personalidade. Para tanto, seu nome deve ficar em evidência, seus trejeitos devem ser imitados, as pessoas devem orar como ele, falar com a mesma voz, comprar seus livros e seguir seus mandamentos. Contudo, o que nos intriga é que no texto os únicos nomes mencionados são os de Jesus e de João. Este último, no entanto, é apresentado como uma figura relegada ao passado, Jesus é o nome de destaque, Ele é o presente para aquele discípulo. Note que nem o lugar recebe nome, ao contrário do que ocorre hoje, onde o nome do lugar e do líder têm primazia e o de Jesus é relegado a segundo plano.


Pr. Cremilson Meirelles

Nenhum comentário:

Postar um comentário