quinta-feira, 27 de junho de 2013

PROTESTO X VANDALISMO


   Desde o início de junho deste ano, uma onda de movimentos contrários ao aumento das tarifas do transporte público invadiu as ruas do Brasil. Tendo começado em São Paulo, os protestos se espalharam rapidamente, alcançando grandes capitais, como Rio de Janeiro e Brasília, cada vez agregando mais adeptos. Estes, no exercício da democracia, têm reivindicado seus direitos perante um governo que nos oprime com impostos abusivos e um sistema que favorece a minoria mais abastada. 
  Não vejo problema algum nesse tipo de atitude. Aliás, não encontro nenhuma justificativa genuinamente bíblica para não fazê-lo. Ao contrário, quando olho para a história eclesiástica, vejo vários servos de Deus que protestaram. Um deles é o profeta que batizou Jesus, João Batista, o qual protestou firmemente contra o governo de sua época (Mc 6.17,18). Outro exemplo é o próprio Jesus, que manifestou publicamente a sua indignação em relação ao mau uso do templo (Mt 21.12). Além disso, muitos profetas protestaram contra os problemas sociais de seu tempo. Em adição, precisamos trazer a memória nossa própria história como protestantes. Na verdade, nossas igrejas são resultado da atitude de diversos cristãos sinceros, que, indignados com os desmandos da Igreja Romana, decidiram protestar. Dentre estes podemos citar John Wycliffe, John Huss, Jerônimo Savonarola e Martin Lutero.
    Não obstante, é inconcebível que um cristão incentive, participe ou concorde com uma manifestação pública que envolva a depredação do patrimônio alheio (público ou privado), o furto de bens de qualquer natureza e violência contra quem quer que seja. Isso é vandalismo, não protesto. Como seguidores de Cristo somos convidados a promovermos a paz (Mt 5.9), não o caos. Essa é a marca distintiva dos filhos de Deus. Foi assim, com protestos pacíficos, que o Pr. Martin Luther King conseguiu uma série de vitórias contra a segregação racial nos Estados Unidos. É assim que devemos proceder onde quer que estejamos promovendo a paz e fazendo o bem a todos (Gl 6.10). Porquanto, o ato de protestar jamais nos isentará do maior mandamento, o amor.
   Todavia, embora acredite que o cristão pode se envolver em protestos desde que sejam pacíficos, entendo que nem toda manifestação pública convém àquele que professa a fé em Cristo. Até porque, algumas se baseiam em causas que contrariam os princípios bíblicos. Por exemplo, um cristão não deve, em hipótese alguma, participar de uma manifestação em prol da legalização do aborto ou da maconha.
  Não precisamos temer os textos que nos mandam respeitar as autoridades. Protestar não é desrespeito, é exercício da cidadania. Ora, em um Estado democrático de direito, os mandatários políticos devem se submeter às leis promulgadas. Se, porventura, descumprirem podemos protestar sim, pois eles desrespeitaram a autoridade, que é a Constituição Federal. Mesmo assim, servimos a uma autoridade maior, Deus. Ele nos manda em sua Palavra fazermos tudo para sua glória (1Co 10.31). Portanto, antes de qualquer protesto, seja por palavras ou atitudes, lembre-se que você não deixou de ser cristão.


Pr. Cremilson Meirelles

Um comentário:

  1. FICA EVIDENTE A DIFERENÇA ENTRE O MANIFESTANTE E O MANIFESTADO

    ResponderExcluir